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Mahmoud Jibril: a arma diplomática dos rebeldes líbios

O primeiro-ministro da oposição foi um dos grandes responsáveis pelo apoio internacional à causa dos insurgentes

Por Da Redação - 24 ago 2011, 19h26

Mahmoud Jibril, primeiro-ministro dos rebeldes, já foi chamado pela imprensa internacional de “a mais poderosa arma da oposição líbia”. Alguma verdade há na definição. Enquanto as forças insurgentes lutavam com armas na Líbia, Jibril seguiu em uma verdadeira batalha diplomática internacional. Depois de se reunir com importantes líderes ao redor do mundo, o homem que chefia o governo de transição líbio conseguiu que países relevantes reconhecessem o Conselho Nacional de Transição como o verdadeiro representante do povo líbio. França, Grã-Bretanha e Estados Unidos abraçaram a causa dos opositores.

Antigo ministro da Justiça do regime do ditador Muamar Kadafi, Jibril se uniu aos opositores logo no início da revolta, em 21 de fevereiro. Quase um mês depois, em março, ele seria escolhido como primeiro-ministro interino do CNT, órgão rebelde recém-criado para ser o braço político dos rebeldes. Desde então, o premiê, ao lado do ex-diplomata Ali al-Essawi, se tornou o rosto internacional da rebelião.

Em sua peregrinação à procura de apoio internacional, Jibril já se encontrou com a secretária de estado norte-americana, Hillary Clinton, e, nesta quarta-feira, com o presidente da França, Nicholas Sarkozy. Há também uma reunião prevista, ainda nesta semana, com o premiê italiano, Silvio Berlusconi.

Biografia – Jibril nasceu em 1952 e, em sua juventude, foi estudar no Cairo, Egito, e depois nos Estados Unidos. Economista e doutor em planejamento estratégico, Jibril já foi professor da Universidade de Pittsburg, no estado americano da Pensilvânia. Durante sua carreira acadêmica, ele publicou dez livros e organizou treinamentos para lideranças árabes. Em seus artigos e publicações, o economista mostrou-se bastante crítico à política internacional americana.

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Há seis anos, a convite do herdeiro de Kadafi, Saif al-Islam, ele ajudou o regime a reestruturar a economia líbia. Segundo relatos de pessoas próximas a Jibril, ele tentou renunciar de seu cargo no governo de Kadafi em várias ocasiões, mas foi sempre impedido pelo ditador.

Em 2009, um documento revelado pelo site Wikileaks mostrou a opinião dos americanos quanto a ele: “Jibril entende o ponto de vista dos Estados Unidos”, dizia o embaixador Gene Cretz. Por sua educação americana, Jibril inspira certa simpatia no Ocidente. Contudo, segundo analistas ouvidos pelo site de VEJA, como no Iraque em 2003, não existe na Líbia uma figura da oposição reconhecida ou um grupo que transcenda as rivalidades tribais, regionais e sectárias. Nem mesmo Jibril. “A capacidade dele em emergir como um líder aceitável para todas as forças rebeldes permanece obscura”, pontua Kamran Bokhari, especialista em Oriente Médio da consultoria americana Stratfor.

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