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Maduro troca 7 ministros, mas não o da área de segurança

Reforma é anunciada após assassinato de ex-miss, que provocou pedidos de renúncia do ministro do Interior e Justiça, responsável pela segurança pública

Em meio à crescente insatisfação popular com os altos índices de criminalidade na Venezuela e ao aumento da pressão sobre o governo após o assassinato da ex-miss Mónica Spear e de seu ex-marido, que provocou comoção nacional, o presidente Nicolás Maduro anunciou nesta quinta-feira uma remodelação parcial de seu gabinete. Foram confirmadas trocas em sete ministérios: Educação Universitária, Esporte, Juventude, Indústria, Educação, Trabalho e a Secretaria da Presidência.

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Os ajustes, segundo Maduro, são “necessários para continuar na batalha pela paz e pela felicidade da pátria”. O anúncio caracteriza a retomada de uma tradição dos anos de Hugo Chávez, que promovia reformulações anuais, ratificando ou não os titulares dos ministérios – o costume não se repetiu ano passado por causa da internação e morte de Chávez, enquanto o país seguia sem saber se o coronel tomaria ou não posse do novo mandado em 10 de janeiro.

Antes de confirmar as trocas ministeriais, Maduro havia informado pelo Twitter que todos os ministros colocaram seus cargos à disposição, o que deixou clara a intenção do governo de fazer uma reforma ampla na tentativa de buscar soluções para os muitos problemas acumulados no país. Mas a principal mudança esperada neste momento, em meio à crise da criminalidade, não ocorreu. Miguel Rodríguez Torres, ministro do Interior e da Justiça, não parece estar ameaçado e foi ratificado pelo presidente. Sua permanência no cargo foi a mais questionada após a morte da ex-miss e atriz de novelas Mónica Spear, de 29 anos, o que provocou um onda de protestos nas redes sociais pedindo a saída de Rodríguez Torres da chefia da segurança pública.

O ministro, embora tenha confirmado nesta quinta-feira que colocou o cargo à disposição do presidente e que atenderia sua demissão “com muito gosto por ser um revolucionário”, declarou que nas próximas semanas vai visitar até dois Estados por dia para reformular os planos regionais de combate ao crime.

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Durante o anúncio sobre o novo gabinete, Maduro afirmou que nos próximos dias completará “todos os ajustes necessários para a batalha econômica, a batalha social”, deixando aberta a possibilidade de ampliar a reforma ministerial.

Mudanças – Até lá, o herdeiro político de Hugo Chávez anunciou uma espécie de troca-troca de postos entre figuras que já fazem parte de sua administração. Maduro confirmou a saída, “por razões pessoais”, do ministro da Educação Universitária, Pedro Calzadilla, que será substituído pelo atual ministro da Indústria, Ricardo Menéndez – cujo atual cargo será ocupado pelo general Wilmer Barrientos, até agora na Secretaria Geral da Presidência, que passará ao ex-governador do Estado Trujillo, Hugo Cabezas.

A ministra da Educação, Maryann Hanson, será substituída por Héctor Rodríguez, atual vice-presidente para a Área Social e ministro de Juventude. Sua antiga pasta será agora ocupada pelo secretário-geral da Assembleia Nacional, Víctor Clark.

No Ministério do Esporte, a ministra e esgrimista olímpica Alejandra Benítez será substituída pelo ex-jogador de beisebol Antonio “Potro” Álvarez, ex-candidato do chavismo nas últimas eleições municipais, em dezembro. Já à frente do Ministério do Trabalho assumirá o advogado trabalhista Jesús Martínez, descrito por Maduro como um “revolucionário” e “um grande militante da causa operária”, em substituição da ministra María Cristina Iglesias, que assumirá um cargo no Partido Socialista Unido da Venezuela, a legenda governista.

Esta é a primeira grande mudança no governo de Nicolás Maduro desde que ele assumiu a Presidência em 19 de abril do ano passado e três dias depois, apresentou seu primeiro gabinete, com dez novos rostos em relação ao governo de Hugo Chávez, incluindo o retorno de alguns ex-ministros. Nos últimos meses, Maduro fez mudanças pontuais nos ministérios da Defesa, Comunicações e Saúde e trocou o vice-presidente para a área econômica, cargo criado por ele.

(Com agência EFE)