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Maduro transfere escritório europeu da PDVSA de Lisboa para Moscou

Segundo o governo da Venezuela, o apoio da União Europeia a Juan Guaidó ameaça os ativos do país

O ditador da Venezuela, Nicolás Maduro, decretou que o escritório europeu da companhia petrolífera estatal PDVSA seja transferido de Lisboa para Moscou. Com a medida, o regime pretende garantir a segurança dos ativos do país, segundo anunciou nesta sexta-feira, 1, a vice-presidente chavista, Delcy Rodríguez.

“A Europa não dá garantias de respeito a nossos ativos”, disse Rodríguez durante uma entrevista coletiva ao lado do ministro das Relações Exteriores russo, Sergey Lavrov, em Moscou. Ela afirmou que os países capitalistas estão violando suas própias leis ao congelar os bens da Venezuela em bancos ocidentais e tachou de um “roubo à mão armada” o que está ocorrendo atualmente com os recursos financeiros do país sul-americano.

Ela se refere às sanções aplicadas pelos Estados Unidos com o objetivo de minar o orçamento do governo de Maduro, que depende 90% do lucro oferecido pela PDVSA. A decisão de mudar a sede europeia da empresa é resultado de um temor de que a União Europeia siga o exemplo americano, já que o bloco é majoritariamente favorável ao governo interino venezuelano e ao presidente autoproclamado, Juan Guaidó.

Além de congelar as contas da empresa petrolífera em bancos americanos, Washington ameaça punir os países que façam negócios relacionados ao ouro e petróleo da Venezuela. A Rússia, aliada mais ativa do governo de Maduro, rejeita categoricamente a pressão contra o governo de Caracas e advoga pelo diálogo como a única via para solucionar a grave crise política na nação latino-americana.

 

A crise política e econômica venezuelana é mais uma das questões que opõem as duas potências. Na quinta-feira 28, com o apoio da China, a Rússia vetou a resolução proposta pelos Estados Unidos sobre a Venezuela no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). Já o texto sugerido pela Rússia foi rejeitado com uma margem maior. As decisões eximiram o Conselho de Segurança de qualquer deliberação sobre os problemas no país sul-americano.

“Pedimos aos membros do Conselho que não sejam cúmplices dessa manobra polêmica e pedimos que votem contra o projeto dos Estados Unidos e que apoiem o nosso, que realmente quer ajudar o povo da Venezuela”, afirmou pouco antes da votação o embaixador russo na ONU, Vasily Nebenzya.

No início desta semana, o secretário do Conselho de Segurança da Rússia, Nikolai Patrushev, acusou os Estados Unidos de estarem preparando uma intervenção militar na Venezuela. Em declarações à agência RIA, Patrushev afirmou que o deslocamento de tropas americanas para Porto Rico e Colômbia são sinais de uma estratégia de Washington para derrubar Maduro com o uso de força.

Em entrevista à Interfax, o secretário também disse que a Rússia tinha concordado com reuniões propostas pelo governo dos Estados Unidos sobre a situação na Venezuela, uma aliada próxima de Moscou, mas acrescentou que o governo de Donald Trump adiou repetidamente essas consultas, usando “pretextos inventados.”

Recentemente, o ditador venezuelano investe em medidas para proteger seu poder e isola o país e suas relações diplomáticas, deixando claro sua confiança exclusiva na Rússia. Depois de bloquear a fronteira com territórios vizinhos, para evitar a entrada de ajuda humanitária internacional, Maduro anunciou o recebimento de mantimentos russos que, segundo ele, teriam sido pagos por seu governo e entrariam legalmente no país.

A Venezuela atravessa uma grande crise social e econômica, enfrentando a escassez de alimentos e medicamentos em meio a uma hiperinflação devastadora, que já ultrapassou os 2.600.000%. Segundo a ONU, desde 2015, 3 milhões de venezuelanos já deixaram o país em busca de ajuda nos países vizinhos, criando também um problema migratório.

(com EFE)