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Maduro rejeita mediação da OEA e corta relações com o Panamá

Em dia de homenagens a Chávez, morto há um ano, seu sucessor despeja bravatas diante de convidados como Raúl Castro e Evo Morales

Por Da Redação 5 mar 2014, 22h50

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, rejeitou nesta quarta-feira qualquer mediação da Organização dos Estados Americanos (OEA) na crise política do país. E anunciou o rompimento de relações diplomáticas e comerciais com o Panamá, país que solicitou uma reunião do organismo para discutir os confrontos nos protestos contra o governo venezuelano que já deixaram dezoito mortos.

“Que a OEA fique onde está”, disse Maduro, que acusou o presidente panamenho, Ricardo Martinelli, de “conspirar” contra sua gestão para justificar uma intervenção. “A OEA não entra na Venezuela para realizar nenhum tipo de política intervencionista, nem agora nem nunca. Que o saibam o governo dos Estados Unidos e o governo lacaio do Panamá”.

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Martinelli reagiu afirmando que a decisão da Venezuela foi “surpreendente”. “O Panamá só anseia que esse país irmão encontre a paz e fortaleça sua democracia”, publicou, em sua conta no Twitter.

A Venezuela realiza parte de suas importações por meio das zonas francas do Panamá. Uma interrupção do comércio poderia agravar o desabastecimento do país de 29 milhões de pessoas. A escassez de dólares deixou os importadores venezuelanos endividados com seus fornecedores panamenhos nos últimos meses. Em julho do ano passado, o presidente Martinelli reuniu-se com Maduro para negociar uma dívida de 1,2 bilhão de dólares com a zona franca panamenha, informou o El Universal. (Continue lendo o texto)

Missão mediadora – Nesta quinta, o Conselho Permanente da OEA vai se reunir para debater sua resposta para a crise. O secretário-geral, José Miguel Insulza, apesar de dizer que não considera que há uma “distorção” da democracia na Venezuela, considerou útil o envio de uma missão ao país. O Panamá solicitou a convocação dos chanceleres do órgão para discutir a crise, mas a proposta tem poucas chances de prosperar, segundo fontes diplomáticas consultadas pelo jornal espanhol El País. Mesmo assim, Maduro achou melhor esbravejar também contra o secretário-geral: “Fique quieto, senhor Insulza! Não se meta com quem não foi chamado. A Venezuela não solicitou nenhum debate. Estaríamos loucos se o fizéssemos. É um organismo moribundo”.

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Ignorando que agonizante está a economia venezuelana, um dos motivos que levaram estudantes às ruas do país, em um movimento que ganhou a adesão dos cidadãos que reclamam também contra os altos índices de criminalidade e a falta de liberdade no país, Maduro tentou mostrar outro organismo como o que teria legitimidade para analisar a crise. E salientou o pedido de reunião apresentado à Unasul – que, vale lembrar, foi criada para ser uma OEA sem os Estados Unidos, e para servir de palanque regional para o mentor de Maduro, o coronel Hugo Chávez. Neste encontro, o mandatário que endureceu a repressão aos manifestantes afirma que pretende apresentar “provas do ataque fascista e golpista” contra a democracia no país.

O presidente venezuelano expôs suas bravatas durante um desfile militar em Caracas em homenagem a Hugo Chávez, cuja morte completou um ano nesta quarta-feira. E diante de convidados como o ditador cubano Raúl Castro, Evo Morales, da Bolívia, e Daniel Ortega, da Nicarágua. O vice-presidente da Argentina, Amado Boudou, e o assessor de assuntos internacionais da Presidência do Brasil, Marco Aurélio Garcia, também viajaram a Caracas. Na noite de terça, Garcia concedeu entrevista à TV chapa-branca Telesur e disse acreditar que “apesar da crise interna, o país tem bases sólidas para superar os problemas de forma pacífica”, conforme declarações reproduzidas pela Agência Brasil.

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Aliás, uma produção da Telesur, financiada pela Venezuela, encerrará o dia de homenagens ao ex-presidente. A biografia Meu amigo Hugo, produzida por Oliver Stone, cineasta americano que não esconde sua adoração pela Venezuela amordaçada e falida do chavismo, será transmitida pela primeira vez. (Continue lendo o texto)

Protestos – A coligação opositora Mesa da Unidade Democrática pediu que não fossem realizadas manifestações nesta quarta em respeito “aos sentimentos de uma parte do país”. Mas o dia foi de novos protestos, convocados por grupos da oposição. Muitas ruas de Caracas, principalmente em bairros de classe média, amanheceram bloqueadas por barricadas montadas de forma rudimentar. Também havia barreiras e focos de distúrbios em cidades do interior, como Valencia, Maracaibo e Barquisimeto, segundo o El País.

(Com agência Reuters)

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