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Maduro mira poder ditatorial e amplia cerco à oposição

Seguindo a cartilha de Chávez, presidente pediu "poderes especiais" para combater corrupção. Adversários alertaram para perigo de 'caça às bruxas'

Com a desculpa de combater a corrupção, o presidente venezuelano Nicolás Maduro prometeu nesta segunda-feira que vai declarar “emergência nacional” e pedir poderes especiais ao Parlamento para reformular as leis e alterar a Constituição do país. Caso a Assembleia Nacional atenda o pedido, Maduro poderá governar por decretos, sem necessidade do aval da Casa – e, dessa forma, aumentar ainda mais a perseguição a opositores. Este método de ampliação de poderes não é estranho a regimes autoritários e foi exaustivamente usado pelo mentor do atual presidente, o falecido Hugo Chávez, como forma de expandir sua “revolução bolivariana”.

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“Como chefe de estado, vou decretar emergência nacional na luta contra a corrupção e pedir poderes especiais para reformular as leis e enfrentar o problema a fundo”, anunciou Maduro durante um ato com jovens em Caracas. “Se é necessário mudar todas as leis para enfrentar a corrupção, vamos fazer isto”, conclamou o mandatário, que pediu ainda que os jovens do país “façam ações de rua” em apoio a sua causa. Maduro não deu detalhes das mudanças que pretende realizar na legislação, mas adiantou que surgirão, nos próximos dias, graves denúncias contra a “direita fascista venezuelana”.

Oposição – Atenta à estratégia do governante, a oposição venezuelana questionou as reais intenções de Maduro em sua retórica contra a corrupção e alertou que ele está preparando, na verdade, uma “caça às bruxas” contra seus adversários políticos. Desde que o atual presidente assumiu em abril, após vencer eleições contestadas pelos adversários e cercadas de acusações de fraude, dois deputados e dois governadores da oposição passaram a ser investigados por crimes como sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. Henrique Capriles, o principal líder opositor e candidato derrotado em abril, declarou que a ausência de processos contra figuras destacadas do chavismo evidencia a falta de credibilidade da campanha de Maduro contra a corrupção.

(Com agência France-Presse)