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Maduro incita chavistas a tomar as ruas para ‘defender revolução’

Em meio às elevadas tensões no país, depois da morte de um estudante durante um protesto, presidente ainda ameaçou: oposição ficará fora das eleições legislativas se participar de atos violentos

No momento em que os estudantes voltam a protestar contra o governo na Venezuela, reprisando a onda de manifestações do ano passado, o presidente Nicolás Maduro “ordenou” nesta quarta-feira que o povo venezuelano saia às ruas, junto com as Forças Armadas, para “defender a revolução”.

“Se funcionários da direita tentam chegar ao poder pela via da violência, dou a ordem ao povo para que, junto com as Forças Armadas, saia às ruas para defender a revolução”, disse, durante um ato oficial para trabalhadores do setor de construção civil e petróleo em Puerto Ordaz, no Estado Bolívar. O discurso, como sempre, foi transmitido em rede nacional de rádio e televisão.

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Ele voltou apontar para inimigos externos e acusou mais uma conspiração: desta vez, trata-se de um grupo de paramilitares estaria tentando se infiltrar na Venezuela a partir da Colômbia para “atentar contra a paz”. A ordem para a ação veio dos Estados Unidos, disse. “Já comuniquei ao ministro da Defesa para que coloque as forças policiais e militares em alerta máximo”, ressaltou, segundo a imprensa local.

Maduro também fez ameaças à oposição, dizendo que não vai permitir que opositores participem das eleições legislativas marcadas para o final deste ano se estiverem envolvidos em atos de violência. “Que não duvidem. Não vão sair com sua cara lavada nas eleições para a Assembleia Nacional”. Acrescentou que a direita jamais derrotará o oficialismo pela via eleitoral, “mas pelo menos conseguirá ocupar alguns espaços”.

Nos últimos dias o chavismo apertou o certo contra opositores, com a prisão arbitrária do prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma. No início desta semana, uma sede do partido Copei foi invadida por um grupo com apoio de policiais.

Ontem, um adolescente de 14 anos foi morto por um policial durante um protesto contra o governo em San Cristóbal, no Estado de Táchira, epicentro da onda de manifestações que eclodiu no ano passado. O defensor público Tarek William Saab informou nesta quarta que, segundo a perícia, o jovem foi atingido por uma bala de plástico, que não deve ser usada em manifestações, “muito menos no rosto, porque o resultado é fatal”.

As tensões que já estavam elevadas por causa da prisão de Ledezma aumentaram ainda mais após a morte do estudante. O próprio Maduro condenou na noite de terça a morte do estudante e disse que “a repressão armada está proibida na Venezuela”. Declaração que contrasta com a legislação que entrou em vigor no mês passado permitindo o uso de arma de fogo para controlar protestos.

Em relatório, a Anistia Internacional criticou o uso excessivo da força por parte do Estado para silenciar as manifestações na Venezuela, denunciou o aumento das prisões arbitrárias e as “ingerências governamentais” no Judiciário.

(Da redação de VEJA.com)