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Maduro confirma contatos da Venezuela com EUA em 2012

Imprensa diz que vice quer encurralar Cabello através de agência americana

Por Da Redação 4 jan 2013, 08h32

O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou na noite de quinta-feira em Caracas que seu país manteve no fim de 2012 contatos com o governo dos Estados Unidos, autorizados pelo ditador Hugo Chávez. Na mesma ocasião, o ex-chanceler atacou a direita venezuelana e internacional por manipular a informação a respeito da saúde de Chávez, que está internado em Cuba com uma “severa infecção pulmonar”.

“Nestes dias vimos como a imprensa tentou deturpar um evento que simplesmente foi levado adiante com a autorização do presidente da República nos últimos dias de novembro, no início de dezembro, e que tem a ver com a relação com o governo dos Estados Unidos”, disse Maduro durante a visita a uma fábrica de café em Caracas, pouco depois de retornar de Cuba, onde visitou Chávez, operado há três semanas de um câncer.

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Washington também confirmou na quinta-feira contatos com os chavistas e a oposição da Venezuela, mas negou que o governo de Barack Obama esteja envolvido em uma possível transição diante do delicado estado de saúde de Chávez. “Obviamente falamos com venezuelanos de todo o quadro político, como fazemos com todos os países no mundo”, disse a porta-voz do departamento de Estado, Victoria Nuland, que reconheceu que existem contatos políticos com autoridades governamentais de Caracas.

Venezuela e Estados Unidos mantêm uma relação diplomática conturbada e carecem desde 2010 de seus respectivos embaixadores, embora Caracas venda quase um milhão de barris diários de petróleo a Washington.

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Briga de poder – O jornal espanhol ABC, que tem divulgado informações negadas por Maduro, afirmou na quinta-feira que o vice venezuelano estava negociando com a agência antidrogas americana DEA seu retorno à Venezuela para encurralar o presidente da Assembleia Nacional, Diosdado Cabello, que o acompanhou na visita à fábrica de café, diante de uma possível disputa pela liderança do país se Chávez não puder continuar governando.

O ex-juiz Eladio Aponte, destituído pela Suprema Corte de Justiça da Venezuela por vínculos com o narcotráfico e que agora colabora com a DEA, acusou em abril de 2012 Cabello, junto com outros funcionários de alto escalão, de tráfico de drogas.

Uma importante votação agendada para o sábado na Assembleia Nacional deve dar pistas sobre o que acontece nos bastidores da cúpula venezuelana. Na data, o Parlamento deverá se reunir para eleger sua cúpula em uma sessão que será determinante para o futuro do país. Isso porque, se Chávez não tomar posse no dia 10, o chefe do legislativo tomará posse interinamente até a realização de novas eleições.

A imprensa venezuelana especula que Cabello poderia permanecer na chefia do Parlamento ou passar o cargo para Blanca Fekhout. Na segunda hipótese, ele ficaria livre para apoiar o vice-presidente Maduro em uma futura campanha presidencial – o que não poderia fazer se assumisse a Presidência.

Imprensa – O vice-presidente venezuelano também aproveitou a ocasião para atacar vários meios de comunicação internacionais, como o jornal espanhol ABC ou a colombiana rádio Caracol, por divulgarem “informações manipuladas com a intenção de organizar campanhas para tentar criar incertezas”.

(Com agência France-Presse)

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