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Maduro anuncia nova ofensiva contra o comércio

Em meio ao caos econômico e inflação fora de controle, presidente quer verificar se os comerciantes estão cobrando 'preços justos'

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou na noite desta terça-feira uma nova inspeção a estabelecimentos comerciais do país. O objetivo da ação, que começa na sexta-feira, é verificar se as margens de lucro definidas e os “preços justos” são respeitados – segundo a lógica de Maduro, a inflação altíssima e o desabastecimento do país são culpa de uma “guerra econômica”, e não de suas medidas desastradas na condução das finanças venezuelanas.

“Vamos iniciar, no âmbito da ofensiva global de produção, abastecimento e preços justos, com milhares de inspetores, uma jornada nacional de inspeção de todos os estabelecimentos comerciais do país, com vistas ao cumprimento da Lei de Preços Justos, para que sejam respeitados os preços dos bens de primeira necessidade”, disse Maduro em seu programa de rádio. O presidente também destacou que “quem brincar com a lei vai se dar muito mal”.

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O livre acesso à compra e venda de divisas americanas está proibido desde 2003 no país. Pessoas físicas e jurídicas precisam realizar seus pedidos por meio de mecanismos burocráticos e somente no câmbio oficial, de 6,30 bolívares por dólar. Por terem de seguir regras fiscais e contábeis, as empresas só podem operar com o câmbio oficial do governo e acabam perdendo muito dinheiro com isso, ou simplesmente deixam de produzir pois os lucros não cobrem os custos.

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País com as maiores reservas petroleiras do planeta, a Venezuela atravessa uma severa crise econômica, com uma inflação que em 2013 atingiu 56,2%, um déficit fiscal de entre 15% e 18% do PIB e escassez de produtos básicos, entre outros problemas. Maduro acusa setores ligados à oposição venezuelana e conservadores dos Estados Unidos e Colômbia de promover uma “guerra econômica” contra seu governo.

Maduro costuma responsabilizar a ganância do setor privado como responsável pelos problemas do país. Segundo ele, as empresas ‘trabalham’ para elevar a inflação e desestabilizar o regime. O presidente não diz, contudo, que a alta da inflação é provocada pelos altos gastos do governo nos últimos anos – despesas cuja transparência é duvidosa. No ano passado, o presidente venezuelano chegou a obrigar que pelo menos três redes de eletrodomésticos do país reduzissem os preços de seus produtos. Segundo Maduro, os valores dos produtos haviam sido elevados irregularmente.