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Macron: divisões políticas na Europa são como “guerra civil”

Presidente francês critica o fortalecimento do nacionalismo no bloco e pede união da EU em prol da democracia

O presidente da França, Emmanuel Macron, fez um apelo aos europeus nesta terça-feira para que não busquem refúgio no nacionalismo, mas fortaleçam a União Europeia como um bastião da democracia liberal contra um mundo desordenado e perigoso.

Um “nacionalismo egoísta” está ganhando terreno, alertou Macron, comparando a atual situação europeia a um clima de “guerra civil”.

Mas é ilusão, argumentou, dizer que a volta da soberania nacional à custa de poderes compartilhados na UE proporcionaria a tranquilidade que os eleitores desejam em um mundo de potências autoritárias, em uma alusão aparente a nações como Rússia ou China, e de multinacionais poderosas.

Em discurso ao Parlamento Europeu na cidade francesa de Estrasburgo, o chefe de Estado de 40 anos foi aplaudido de pé pela maioria dos parlamentares depois de repudiar a ascensão de “democracias nada liberais” mesmo dentro da UE. Parlamentares nacionalistas franceses, britânicos e de outras partes, porém, fizeram silêncio.

“Diante do autoritarismo, a resposta não é uma democracia autoritária, mas a autoridade da democracia”, disse Macron em uma referência direta ao recém-reeleito primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, e ao partido governista da Polônia.

Conclamando outros líderes do bloco a seguirem seu exemplo iniciando um diálogo público sobre o futuro da Europa, Macron disse que a UE exige reformas que fortaleçam o que chamou de “soberania europeia” no mundo.

A pouco mais de um ano das próximas eleições para o Parlamento Europeu, ele lamentou o fato de que menos da metade dos cidadãos do bloco se deu ao trabalho de votar em eleições anteriores.

Macron percorreu uma lista de itens para uma integração maior da UE no momento em que o Reino Unido, cético há tempos da união, se prepara para se desfiliar em março do próximo ano.

Entre as sugestões do presidente francês estão a nova taxação dos negócios digitais, mais apoio aos refugiados, uma cooperação maior na defesa e uma abordagem comum mais robusta na administração da moeda única.

(Com Reuters)