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Lula minou sua liderança ao defender Venezuela, diz Human Rights Watch

Após bilateral com Maduro em Brasília, Lula afirmou que foram criadas 'narrativas' sobre o 'problema da democracia' no país vizinho

Por Paula Freitas
Atualizado em 31 Maio 2023, 16h56 - Publicado em 31 Maio 2023, 16h26

Em nota divulgada nesta quarta-feira, 31, a organização não governamental Human Rights Watch (HRW) criticou o posicionamento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a respeito do governo do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro.

“O presidente Lula deveria aproveitar todas as oportunidades para restaurar a liderança que seus comentários imprudentes minaram e cumprir sua promessa de ser um líder na defesa e promoção dos direitos humanos em todo o mundo”, disse a ONG.

Após uma reunião bilateral com o venezuelano no Palácio do Planalto, o petista afirmou que foram criadas “narrativas” sobre o “problema da democracia” no país vizinho.

A HRW reiterou que o “enfraquecimento das instituições democráticas” na Venezuela é verdadeiro. Problemas como a falta de transparência nas últimas eleições e a prisão de mais de 15 mil pessoas por motivos políticos nos últimos nove anos também foram citados ao longo da declaração.

“Como alguém que enfrentou recentes esforços para derrubar a democracia no Brasil, foi frustrante vê-lo bajulando um governante tão autoritário”, critica o texto, fazendo referência ao atentado bolsonarista de 8 de janeiro em Brasília.

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+ Alvo de críticas, Lula volta a citar ‘narrativa’ e defende Maduro

A nota evidencia ainda o colapso do sistema de saúde do país, os casos de desnutrição e a intensa crise migratória provocada por Maduro. Segundo a HRW, 7,2 milhões de venezuelanos fugiram do país desde 2014, sendo que quase 6 milhões foram para outros países da América Latina e do Caribe, incluindo o Brasil.

O comunicado aponta, ainda, a repressão aos opositores da atual administração e a consequente tortura contra aqueles que foram detidos.

As falas de Lula colocariam, assim, em xeque o discurso do ministro de Direitos Humanos e da Cidadania, Silvio Almeida, no encontro do Comitê de Combate à Tortura das Nações Unidas, realizado em abril. Na ocasião, Almeida afirmou que, diferentemente do governo do ex-presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, o país havia parado de cultuar “torturadores”.

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Ao tratar da repressão, a HRW relembra que um promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), em Haia, abriu uma investigação para tratar dos supostos crimes cometidos contra os venezuelanos e declara que “é provável que o presidente Lula tenha conhecimento de tudo isso”.

+ Presidente do Chile critica Lula por ‘vista grossa’ sobre regime de Maduro

“Vários líderes mundiais têm se reunido com Maduro nos últimos meses, se colocando à disposição para mediar negociações para restaurar a democracia no país. Mas, ao repetir o discurso de Maduro, o presidente Lula se alinhou a seus aliados autoritários e perdeu a oportunidade de ajudar a Venezuela a sair de uma enorme crise humanitária e de direitos humanos”, avalia a ONG.

A declaração registra, inclusive, as críticas do presidente do Chile, o esquerdista Gabriel Boric, e do presidente do Uruguai, o direitista Luis Lacalle Pou, aos comentários de Lula e destaca o papel central do petista na defesa da democracia venezuelana.

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“Lula deveria demostrar apoio ao povo venezuelano: aos presos políticos, jornalistas ameaçados, doentes e famintos, migrantes e refugiados, além de usar todas as oportunidades que tenha para reformular sua posição sobre a situação na Venezuela”, enfatiza.

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