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Lula enquadra cobrança de 20% de Trump sobre cargas em Ormuz como ‘pirataria’

Presidente também criticou bloqueio a navios iranianos na rota marítima, estratégica para o comércio mundial de combustíveis

Por Caio Saad Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 13 jul 2026, 14h06 | Atualizado em 13 jul 2026, 14h44
Lula enquadra cobrança de 20% de Trump sobre cargas em Ormuz como ‘pirataria’ Priorizar nos meus resultados Google

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou como “pirataria” a decisão do governo dos Estados Unidos de montar um bloqueio a navios iranianos no Estreito de Ormuz e cobrar um valor de 20% de toda a carga que passar pela rota. A medida foi anunciada por Donald Trump nas redes sociais nesta segunda-feira, 13.

“O Estreito de Ormuz é aquele canal entre o Irã e o resto do mundo, que o Irã não deixa passar navio com petróleo. Ele fez um tuíte dizendo que ele vai desobstruir. Mas cada navio que ele desobstruir, que ele tirar do estreito, o dono do petróleo tem que pagar 20% para ele”, disse o petista durante agenda no Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo. “Antigamente, isso se chamava pirataria”, completou.

+ Trump retoma bloqueio em Ormuz e diz que EUA vão cobrar 20% sobre carga de embarcações

Segundo Lula, “um Estado importante como os EUA, que por muito tempo combateu a pirataria, não pode voltar agora a virar pirata”.

Em publicação nas redes sociais, Trump anunciou que o Estreito de Ormuz “estará aberto e permanecerá aberto, com ou sem Irã” e, “por uma questão de justiça”, os EUA receberão “20% de toda a carga transportada, por todos os custos necessários para garantir a segurança desta região tão instável do mundo”. Washington começou a bloquear o tráfego de navios de e para os portos do Irã em abril e encerrou a medida em junho, após um acordo provisório entre os países.

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Mais cedo, ele já havia prometido que os EUA assumiram controle da passagem, após autoridades iranianas confirmarem que voltaram a fechar a nevrálgica rota marítima em retaliação aos bombardeios americanos contra o país.

+ Irã atesta que fechou Ormuz; Trump rebate que EUA controlarão estreito e ‘serão pagos por isso’

Em entrevista à emissora americana Fox News, o ocupante do Salão oval disse que Washington atuará como “guardiã do estreito” e, apesar dele se opor veementemente à ideia de Teerã de passar a cobrar taxas das embarcações que transitam pela rota, afirmou que pretende cobrar um “pedágio” caso o plano se concretize.

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De acordo com o presidente dos Estados Unidos, lideranças do Irã participaram de negociações com enviados americanos, uma reunião de 11 horas onde “tudo havia sido acordado” — mas que, depois, segundo ele, começaram a exigir mudanças. Sobre a retomada de hostilidades, Trump garantiu que Teerã está levando uma “surra” na guerra.

Em resposta, o principal comando militar conjunto do Irã, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, afirmou que o país não permitirá que Washington interfira na gestão do Estreito de Ormuz. Em vídeo, um porta- voz afirmou que qualquer tentativa americana de organizar a passagem pelo estreito fora das rotas designadas por Teerã e sem coordenação com as forças armadas iranianas enfrentará forte resistência.

Fechamento de Ormuz

A retomada das hostilidades no fim de semana e o anúncio iraniano de um novo bloqueio na rota marítima, estratégica para o comércio mundial de combustíveis, provocaram um aumento de mais de 4% no preço do petróleo. Nesta segunda, as forças americanas no Oriente Médio disseram ter atingido “sistemas iranianos de defesa aérea militar, unidades de radar na costa, capacidades de mísseis e drones e barcos pequenos”, ações que pretendiam impedir a república islâmica de bloquear a passagem pelo estreito.

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No entanto, a autoridade iraniana responsável por Ormuz declarou publicamente o fechamento do estreito nesta segunda-feira, citando ações militares americanas como motivo.

“Devido a ações hostis recentes das forças dos estados Unidos, a passagem pelo Estreito de Ormuz é atualmente inviável. Assim que a estabilidade e a calma forem restauradas, todas as solicitações serão analisadas de acordo com o cronograma previsto, e o processo de permissão será retomado”, afirmou a Autoridade do Estreito do Golfo Pérsico (PGSA) em comunicado.

“Lembramos que a única maneira de obter uma permissão de passagem é através do nosso site”, continuou o comunicado.

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Acordo em xeque

Enquanto isso, a Guarda Revolucionária Islâmica, o exército ideológico do Irã, anunciou em seguida que atacou a Base Aérea Príncipe Hassan, na Jordânia, um centro de comando de drones militares no Bahrein e duas bases aéreas no Kuwait, de acordo com IRNA. Os iranianos também reivindicaram ataques contra instalações americanas em Omã. No domingo, foram relatados ataques contra bases americanas no Catar.

O Exército do Kuwait confirmou nesta segunda-feira que precisou responder a “objetos aéreos hostis” lançados contra seu território.

A retomada de disparos parte a parte, que ocorreu na última segunda-feira e desde então escalou, mina o memorando de entendimento para acabar com a guerra, que abalou a economia global. Estados Unidos e Irã assinaram, em 17 de junho, um protocolo de acordo que previa 60 dias de trégua para negociar o fim permanente da guerra no Oriente Médio, iniciada em 28 de fevereiro por um ataque conjunto israelo-americano contra o território iraniano.

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