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Londres pedirá à Interpol prisão dos suspeitos do caso Skripal

Além do Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha e Canadá acusaram novamente a Rússia pelo envenenamento do ex-espião e sua filha

O Reino Unido informou nesta quinta-feira (6) que vai solicitar à Interpol a emissão de um “alerta vermelho” para prender os dois oficiais russos suspeitos do envenenamento do ex-espião Sergei Skripal e de sua filha Yulia, em março.

Além da ordem de prisão internacional, já foi emitida uma ordem europeia de detenção contra Alexander Petrov e Ruslan Boshirov.

“Se qualquer um desses dois indivíduos viajar para fora da Rússia, daremos todos os passos à nossa disposição para detê-los, extraditá-los e levá-los à Justiça no Reino Unido”, disse hoje a embaixadora britânica nas Nações Unidas, Karen Pierce.

A diplomata, que falou em reunião do Conselho de Segurança da ONU sobre o caso Skripal, lembrou que a legislação russa não contempla a extradição de seus cidadãos. Por isso, o Reino Unido não fez um pedido a Moscou.

Segundo as autoridades britânicas, há provas suficientes para acusar Petrov e Boshirov de conspiração para assassinar pai e filha em Salisbury.

Segundo a primeira-ministra Theresa May, os dois homens trabalhavam para o Departamento Central de Inteligência das Forças Armadas da Rússia (GRU). Para May, o ataque mostra a natureza da ameaça que o GRU representa para o Reino Unido e para todos os seus aliados.

Comunicado conjunto

Estados Unidos, França, Alemanha e Canadá se uniram ao Reino Unido e assinaram nesta quinta-feira um comunicado conjunto acusando o governo da Rússia de ter aprovado o envenenamento de Skripal.

Os cinco países pediram que o governo russo se explique e forneça informações completas sobre o agente nervoso Novichok, usado no ataque.

Os signatários garantem que confiam plenamente no Reino Unido quando o país afirma que os dois agentes suspeitos são membros da inteligência militar russa e que a operação foi “quase com certeza” aprovada pelo alto escalão do governo da Rússia.

“O anúncio de ontem fortalece ainda mais nossa intenção de continuar desmantelando as atividades hostis das redes de inteligência estrangeiras em nossos territórios”, escreveram os cinco países no comunicado conjunto.

“Já acertamos atuar para interromper as atividades do GRU por meio da maior expulsão de agentes não declarados”, completa o texto.

Skripal e sua filha foram contaminados com um agente nervoso ao tocar na maçaneta da porta da casa onde viviam na cidade inglesa de Salisbury, no último dia 4 de março.

O caso gerou grande comoção internacional e se transformou em um grande conflito diplomático entre a Rússia e as potências ocidentais. Apesar de todas as acusações, o Kremlin nega ter responsabilidade pelo envenenamento.

No fim de junho, Charlie Rowlie e Dawn Sturgess, um casal britânico, foram intoxicados com a mesma substância perto da cidade de Amesbury. Ela estava em um frasco de perfume encontrado por eles em uma lata de lixo.

Sturgess, de 44 anos, morreu no dia 8 de julho por causa da intoxicação, enquanto seu parceiro já recebeu alta. Segundo Theresa May, Petrov e Boshirov também são suspeitos por este segundo envenenamento.

(Com EFE)