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Londres envia segundo navio de guerra para o Golfo

Reino Unido vive momento tenso com Irã; Executivo britânico elevou nível do alerta de segurança de navegação em águas iranianas para patamar mais alto

O Reino Unido vai aumentar temporariamente sua presença militar no Golfo Pérsico, enviando para a região um segundo navio de guerra – informaram nesta sexta-feira, 12, o governo britânico e uma fonte da defesa. A tensão entre Londres e Teerã cresceu nos últimos dias, após a apreensão de um petroleiro iraniano.

O destroier HMS Duncan viaja para o Golfo para se juntar à fragata HMS Montrose, já no local, a fim de continuar a garantir a “liberdade de navegação” na área, declarou um porta-voz do Executivo britânico.

Segundo uma fonte do governo do Reino Unido, o envio de mais um destroier para a região já estava previsto, mas a implantação foi antecipada por Londres.

No início da semana, uma fonte do governo informou que o Executivo britânico decidiu elevar o nível do alerta de segurança de navegação em águas territoriais iranianas para o patamar mais alto, fazendo recomendações para companhias e navios britânicos que operam na região.

A tensão no entorno do Estreito de Ormuz, por onde transita quase um terço do petróleo bruto mundial pela via marítima, sofreu uma escalada nas últimas semanas. Na origem dos acontecimentos estão ataques de autoria desconhecida contra petroleiros e a destruição de um drone americano por parte do Irã.

Acusada por Washington de estar por trás dessas sabotagens, Teerã nega qualquer envolvimento. Além disso, denuncia a vontade dos Estados Unidos de “provocar um choque” no setor, por meio da imposição de sanções severas e de um embargo às exportações de petróleo.

Detenções em Gibraltar

Um novo episódio se somou à lista de incidentes na quarta-feira 10, quando a Marinha militar iraniana tentou – segundo o Reino Unido – “impedir a passagem” pelo Estreito de Ormuz de um petroleiro britânico. O HMS Montrose, que foi em seu socorro, teria tido de “lançar advertências verbais” aos iranianos para que recuassem.

A Guarda Revolucionário do Irã negou qualquer “confronto” recente com navios estrangeiros.

Este incidente foi registrado depois que o presidente iraniano, Hassan Rohani, alertou os britânicos, também na quarta-feira, para as “consequências” da retenção, por parte de Londres, do petroleiro do Irã Grace 1, na costa de Gibraltar.

A embarcação foi apreendida em 4 de julho pela polícia e pela Alfândega de Gibraltar, com a colaboração da Marinha Real britânica, ao longo desse território situado ao extremo-sul da Espanha.

Gibraltar alegou suspeitar de que o navio levava petróleo para a Síria, o que violaria sanções europeias contra o governo de Bashar Assad. Teerã nega a acusação e denuncia um ato de “pirataria”.

Nesta sexta-feira, a polícia de Gibraltar prendeu dois oficiais do petroleiro. Ambos são de nacionalidade indiana, assim como o capitão e outro oficial detidos na véspera.

As tensões na região do Golfo se intensificaram desde que os Estados Unidos se retiraram, no ano passado, do acordo nuclear firmado entre o Irã e outras grandes potências, em 2015, em Viena.

Ontem, Washington confirmou sua intenção de formar uma coalizão internacional para escoltar os navios comerciais no Golfo.

Ataques contra grupo militante curdo

A Guarda Revolucionária do Irã usou drones e mísseis para atacar o quartel-general de um grupo militante curdo perto da fronteira iraniana com o Curdistão iraquiano, segundo a agência de notícias Tasnim.

“Um número grande de terroristas foi morto e ferido nos ataques que começaram na quarta-feira para visar quartéis-generais de terroristas e seus campos de treinamento”, disse a agência, citando um comunicado da Guarda.

Os ataques ocorreram do lado iraquiano da fronteira. Segundo Teerã, a ofensiva foi lançada em retaliação a atentados recentes do grupo, que mataram ao menos cinco membros da Guarda no noroeste e no oeste do Irã.

“Espera-se que o governo do Curdistão iraquiano leve os alertas do Irã a sério e não permita que terroristas usem seu território como abrigo para treinar, organizar e ameaçar a segurança sustentável do Irã realizando ataques terroristas”, disse o comunicado.

“A Guarda reagirá duramente a qualquer agressão contra a segurança do Irã”, afirma ainda a nota.

São frequentes na área os confrontos entre forças de segurança iranianas e grupos militantes curdos radicados no vizinho Iraque, como o Partido da Vida Livre do Curdistão (PJAK), acusado por Teerã de ter laços com insurgentes curdos do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) da Turquia.

(Com AFP e Reuters)