Lindsay Clancy: juiz anula julgamento de mãe que matou os três filhos nos EUA
Júri não consegue unanimidade, com maioria inclinada a considerá-la inocente por psicose pós-parto. Caso acendeu debate sobre saúde mental materna
Um juiz anulou, nesta sexta-feira, 4, o julgamento do caso da americana Lindsay Clancy, que matou seus três filhos em sua casa em Massachusetts, nos Estados Unidos, em janeiro de 2023. Como o júri não conseguiu chegar a um veredito, o magistrado William Sullivan teve que declarar a nulidade.
O grupo de jurados estava dividido em 11 a 1, com a maioria inclinada a considerar Clancy inocente por questões de saúde mental. Para chegar a uma conclusão, os 12 teriam que apresentar uma opinião unânime, o que não aconteceu.
Apesar do julgamento ter sido declarado nulo, o juiz afirmou que suspenderia a decisão por uma hora para permitir que a defesa apresentasse um recurso a um tribunal superior. Agora, os promotores terão de decidir se levarão novamente o caso aos tribunais com um novo júri.
Na quarta-feira 2, o júri já havia comunicado Sullivan de que não estavam conseguindo concordar entre si. Segundo a imprensa americana, o juiz deu ao grupo uma instrução para que continuassem deliberando, para tentar superar o impasse e evitar a anulação do julgamento.
Entenda o caso
Clancy, de 36 anos, não nega ter estrangulado seus filhos Cora (5 anos), Dawson (3) e Callan (oito meses), mas sustenta que sofria de psicose pós-parto no momento do crime. Se comprovado, o transtorno mental a livraria da responsabilidade criminal.
Após os assassinatos em sua casa em Duxbury, Massachusetts, em janeiro de 2023, ela se jogou de uma janela do segundo andar em uma suposta tentativa de suicídio que a deixou paralisada da cintura para baixo.
A ex-enfermeira se declarou inocente por motivo de insanidade e afirma ter ouvido uma voz que mandava ela matar os filhos. Seus advogados sustentam que o crime foi consequência de uma profunda depressão pós-parto.
Se fosse considerada culpada de assassinato em primeiro grau, Clancy poderia ser condenada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
O julgamento durou cinco semanas, foi televisionado e contou com mais de 80 testemunhas. O caso rendeu um debate nos Estados Unidos sobre a saúde mental materna. Durante o processo, dezenas de mulheres vestidas de rosa marcharam diante do tribunal de Massachusetts para demonstrar seu apoio a Clancy.







