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Liga Árabe responsabiliza regime sírio por massacre

Delegados permanentes do bloco cobram do Conselho de Segurança da ONU medidas enérgicas contra o regime do ditador Bashar Assad

Os países membros da Liga Árabe responsabilizaram nesta terça-feira o regime do ditador Bashar Assad pelo massacre de mais de mil pessoas na periferia de Damasco, na última semana. Os delegados permanentes do bloco de países do norte da África e do Oriente Médio cobraram do Conselho de Segurança da ONU medidas “dissuasivas” contra o governo sírio.

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A Liga Árabe realizou uma reunião de urgência na cidade do Cairo, no Egito, em decorrência da elevada tensão da guerra civil síria. Ao final do encontro, os representantes do bloco denunciaram o “crime horrível realizado com armas químicas internacionalmente proibidas”, cuja “inteira responsabilidade” deve ser atribuída ao regime sírio. Os membros também fizeram coro aos apelos para que os responsáveis pelo uso de armas químicas enfrentem a justiça internacional.

A solicitação dos países árabes acontece em um momento de crescente pressão internacional contra o regime sírio e de ameaças de intervenção militar por parte de Estados Unidos, Grã-Bretanha e aliados. A organização afirmou, ainda, que os delegados permanecerão reunidos para acompanhar a evolução da situação na Síria e organizar os preparativos para uma reunião entre os ministros das Relações Exteriores árabes, agendada para 3 de setembro.

Intervenção – Embora o comunicado da Liga Árabe tenha encorajado a comunidade internacional a agir para interromper as atrocidades cometidas nos dois anos de guerra civil na Síria, alguns membros do bloco mostraram ressalvas ao plano de intervir militarmente no país. O representante do Iraque se negou a culpar o regime de Assad sem ter ‘argumentos irrefutáveis’, enquanto o Líbano decidiu manter uma posição neutra.

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A visão do delegado iraquiano também foi compartilhada pelo porta-voz da chancelaria russa, Alexander Lukashevich. Através de um pronunciamento feito na segunda-feira, o governo russo voltou a advertir que é preciso “prudência” para lidar com a questão. “Tentativas de desconsiderar o Conselho de Segurança da ONU mais uma vez, criando desculpas artificiais sem embasamento para uma intervenção militar na região, vão produzir mais sofrimento na Síria e consequências catastróficas para outros países do Oriente Médio e Norte da África”, disse.

Nesta terça-feira, o secretário de Defesa americano Chuck Hagel afirmou à rede britânica BBC que os EUA estão “prontos” para lançar ataques contra o território sírio, se o presidente Barack Obama assim ordenar. Ele também afirmou que sua pasta preparou “opções para todo o tipo de contingência”. “Nós movimentamos forças para satisfazer e cumprir qualquer uma das ações que o presidente decida tomar”, disse Hagel. A Grã-Bretanha também informou oficialmente que elabora planos militares contra a Síria, mas sem especificar como se deve dar alguma eventual ação. Já o presidente francês François Hollande afirmou à BBC que o país está “pronto para punir” quem estiver por trás dos ataques químicos.

(Com agências France-Presse e EFE)