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Liga Árabe condena abertura de escritório comercial do Brasil em Jerusalém

Organização afirmou que decisão 'prejudicará seriamente as relações e os interesses árabes-brasileiro'

Por Da Redação - 20 dez 2019, 15h23

A Liga Árabe condenou na quinta-feira 20 a abertura de um escritório comercial do Brasil na cidade de Jerusalém alertando que uma futura mudança da embaixada brasileira em Tel Aviv para a cidade sagrada “prejudicará seriamente as relações e os interesses árabes-brasileiro”.

“A Liga Árabe acredita que a decisão do Brasil é unilateral e ilegítima e considera que apoia políticas ilegais de ocupação israelense”, diz o comunicado da organização divulgado após uma reunião de emergência no Cairo a pedido da Palestina. A Liga Árabe é uma organização que reúne 22 Estados-membros no Oriente Médio e norte da África.

O escritório foi inaugurado no sábado 14 e teve a presença do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Na ocasião, o deputado confirmou a intenção do governo brasileiro de transferir a embaixada de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo a cidade como capital do país.

Apesar do Ministério das Relações Exteriores ter emitido uma nota dizendo que a abertura do escritório comercial em Jerusalém se deve ao desejo de “priorizar as questões de inovação, tecnologia, parcerias estratégicas” não prejudicando “a importância e a qualidade” das relações diplomáticas e comerciais, a Liga Árabe disse que a mudança na política de Brasília “prejudicaria seriamente as relações e os interesses árabe-brasileiros”.

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A Liga é uma organização de Estados árabes fundada em 1945 com o objetivo de reforçar e coordenar os laços econômicos, sociais, políticos e culturais entre os seus integrantes. Atualmente possuí 22 Estados-membros, incluindo a Palestina.

A abertura de um escritório de negócios da Agência Brasileira de Promoção de Comércio e Investimento (Apex) foi anunciado durante a visita de Jair Bolsonaro a Israel em abril. A iniciativa foi definida pelo presidente como o primeiro passo para a transferência da embaixada.

As declarações sobre a embaixada em Jerusalém causaram controvérsia no início do mandato presidencial de Bolsonaro. A representação diplomática só não foi transferida para Jerusalém devido à pressão feita por setores do agronegócio que, temendo represálias dos países árabes, conseguiram adiar a decisão do presidente.

A questão de Jerusalém é uma peça chave nos conflitos entre o governo israelense e o mundo árabe. Israel ocupou a parte oriental da cidade após a Guerra dos Seis Dias em 1967. O movimento não foi reconhecido pela comunidade internacional como legítimo.

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As embaixadas de todos os países se instalaram em Tel Aviv para não interferir no conflito. Porém, em 2018, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, resolveu fazer a mudança na representação diplomática. O único país a segui-lo foi a Guatemala.

(Com AFP)

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