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Líder da ultradireita britânica, Farage vence eleição contra humorista ‘cara de lata de lixo’

Pleito local foi convocado quando o próprio extremista renunciou à sua cadeira de deputado, em manobra denunciada como cortina de fumaça contra escândalo

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 ago 2026, 10h13
Líder da ultradireita britânica, Farage vence eleição contra humorista ‘cara de lata de lixo’ Priorizar nos meus resultados Google

O líder da extrema direita britânica Nigel Farage, conhecido como arquiteto do Brexit, que retirou o Reino Unido da União Europeia (UE) em meio ao crescimento do sentimento anti-imigração, foi reeleito com tranquilidade como deputado em uma eleição suplementar, segundo resultados divulgados nesta sexta-feira, 14. Ainda assim, seu principal adversário — um candidato satírico que usa uma lixeira na cabeça — teve um resultado melhor do que o esperado.

Farage provocou a eleição de propósito. No mês passado, renunciou à cadeira parlamentar de Clacton, que ele ocupava desde 2024, devido a uma investigação sobre suas finanças, em uma manobra para reforçar a sua base em meio ao escândalo. Na quinta-feira 14, o líder do partido de extrema direita Reform UK recebeu 63% dos votos no distrito inglês.

O principal rival de Farage foi o misterioso “Count Binface” (em tradução livre, Conde Cara de Lata de Lixo). O candidato, um alter ego do comediante Jon Harvey, superou as expectativas ao receber 9.455 votos, o equivalente a 27% do total.

Antes do fim da apuração, Farage já havia declarado seu triunfo. “O veredito foi dado e é uma vitória convincente e avassaladora”, afirmou em um evento em Essex.

Eleição polêmica

Analistas previram a vitória de Farage, mas subestimaram o desempenho do autodenominado “guerreiro espacial intergaláctico”, que fez campanha usando uma lata de lixo como capacete, e previram uma participação eleitoral muito elevada.

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Os principais partidos políticos britânicos, incluindo o primeiro-ministro do Partido Trabalhista, rejeitaram a votação, que consideram uma manobra do líder do movimento de extrema direita Reform UK para evitar o escrutínio de suas atividades.

A situação permitiu que dezenas de candidatos pequenos, entre eles o tal conde, se destacassem durante a campanha.

“A vitória moral já é minha”, disse à agência de notícias AFP o comediante no centro de apuração durante a madrugada de sexta-feira, antes do anúncio do resultado final.

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À esquerda, um homem de cabelos grisalhos e óculos escuros sorri, vestindo um blazer listrado branco e azul, camisa azul clara, gravata azul e calças rosa, caminhando ao lado de um carro preto. À direita, uma pessoa fantasiada de lixeira com capa preta e armadura cinza, braços abertos, em um salão com mesas e pessoas ao fundo
O líder do partido de extrema direita Reform UK, Nigel Farage (esq.), e o humorista Jon Harvey, conhecido como ‘Count Binface’. – (Ben Montgomery e Dan Kitwood/Getty Images)

Farage não acompanhou a contagem dos votos, momento em que os candidatos tradicionalmente se reúnem para a proclamação dos resultados, alegando que a polícia o advertiu sobre o planejamento de uma “campanha organizada para interromper e deslegitimar o resultado”.

A taxa de participação foi de 44%, abaixo dos 59% registrados nas eleições gerais de 2024, mas isso é comum em eleições suplementares.

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No distrito de Clacton, muitos eleitores mostraram pouco entusiasmo com a disputa eleitoral e até alguns voluntários do Reform UK descreveram a eleição como uma piada.

“É um pouco ridículo”, disse à AFP a ativista do partido Jane Embelton. “Basicamente, tudo isso é para fazer Nigel Farage parecer um idiota. Mas nem eu nem seus apoiadores o consideramos um idiota”.

Escândalo

Quase 80 mil pessoas estavam aptas a votar na eleição, da qual participaram 34 candidatos, nenhum deles dos principais movimentos políticos, que consideram o evento uma cortina de fumaça de Farage, cujo partido liderou as pesquisas nacionais por 18 meses, antes de perder espaço recentemente. Ele surpreendeu os eleitores no mês passado, ao renunciar à sua cadeira.

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Uma investigação do órgão parlamentar de controle da corrupção analisa as acusações de que Farage e o vice-líder do Reform, Richard Tice, não declararam doações, uma delas de mais de US$ 6 milhões. Ambos negam ter cometido qualquer irregularidade.

Farage apresentou a votação de quinta-feira como uma batalha do “povo de Clacton contra ‘o establishment'”, com o objetivo de frustrar o que chamou de “armadilha” envolvendo suas finanças.

As polêmicas coincidiram com uma queda, segundo pesquisas, no apoio ao Reform e na popularidade de Farage, uma figura que divide a opinião pública. Entre seus oponentes já não estão mais apenas os tradicionais partidos Trabalhisa e Conservador, mas também o Restore, uma nova sigla de extrema direita que também usa como plataforma alegações sobre uma “invasão” de imigrantes ao Reino Unido.

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