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Líder da oposição anuncia que defenderá novo referendo do Brexit

Jeremy Corbyn tentará negociar novo acordo com a UE antes de propor emenda sobre mais uma votação

O líder da oposição no Parlamento do Reino Unido, o trabalhista Jeremy Corbyn, declarou nesta segunda-feira, 25, que seu partido “proporá ou respaldará” uma emenda a favor de um novo referendo sobre a saída britânica da União Europeia (UE).

O Partido Trabalhista informou que apresentará uma cláusula para ser submetida à votação na próxima quarta-feira, 27, no Parlamento na qual pedirá aos deputados que apoiem uma união aduaneira “permanente” com a União Europeia, segundo um comunicado.

Se esse plano alternativo fracassar, os trabalhistas “cumprirão a promessa” de apoiar um novo referendo, segundo detalhou o porta-voz para o Brexit da legenda, Keir Starmer.

Aprovar uma emenda para uma nova consulta sobre o tema no Parlamento não deve ser uma missão fácil para Corbyn. Sem o apoio dos trabalhistas, contudo, um novo pleito nunca teria a chance de ser discutido na Câmara dos Comuns.

Novo acordo

Antes de defender de forma oficial um referendo, contudo, o líder da oposição tentará que a Câmara dos Comuns aceite negociar um novo acordo com Bruxelas que permita ao Reino Unido se manter em um arranjo muito similar ao mercado único atual.

Os trabalhistas também querem garantir que seu país possa continuar a atuar nas agências e programas europeus após o Brexit.

Corbyn confirmou também que na votação desta semana apoiará uma emenda apresentada pela sua companheira de partido Yvette Cooper e pelo conservador Oliver Letwin que obrigaria o governo a adiar o Brexit se um acordo não for aprovado antes de 13 de março.

“A primeira-ministra (a conservadora Theresa May) está deixando o relógio correr temerariamente, em uma tentativa de forçar os parlamentares a escolher entre o seu acordo fracassado e um desastroso ‘não acordo'”, disse Corbyn.

“De uma forma ou de outra, faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para prevenir um ‘não acordo’ e nos opor ao perigoso Brexit dos ‘tories’ (conservadores)”, acrescentou o trabalhista, sobre o Partido Conservador, de May.

No congresso anual do partido, realizado em setembro do ano passado, Corbyn se comprometeu a promover uma nova consulta caso não conseguisse forçar eleições gerais antecipadas. Mas tinha se recusado, até agora, a respaldar de maneira explícita o novo referendo.

A forma como Corbyn vem conduzindo as negociações sobre o Brexit desagradou alguns membros de sua legenda. O deputado também vem sendo acusado de antissemitismo por não se pronunciar contra atitudes preconceituosas de integrantes do partido e fazer parte de um grupo secreto no Facebook, o Palestine Live, que posta conteúdo explicitamente racista.

Diante das críticas, nove deputados trabalhistas deixaram o partido nos últimos dias e formaram uma dissidência chamada Grupo Independente. Nos dias seguintes, três parlamentares também deixaram o Partido Conservador de May.

Os apoios perdidos pela primeira-ministra enfraqueceram ainda mais seu poder de negociação.

Ela tem apenas 32 dias para tentar resolver os impasses antes do Brexit, a maior mudança econômica do Reino Unido em mais de 40 anos. Seu acordo com os europeus, fechado em novembro passado, sofreu uma derrota, com a oposição dos dois lados do Parlamento. Para os contrários, seu acordo oferecia o pior dos mundos.

A crise das dissidências se junta às moções de desconfiança e inúmeras acareações que desafiam May depois de quase dois anos de discussões em torno da saída do bloco europeu.

Atraso na votação

Para ganhar mais tempo, a premiê anunciou nesta segunda-feira mais um atraso na votação de acordo para o Brexit no Parlamento. May afirmou que enviará o pacto ao plenário em 12 de março, em vez de nesta semana, como havia prometido anteriormente. A medida é mais um esforço de última hora da primeira-ministra para promover mudanças no acordo de divórcio com a União Europeia.

“Nós não levaremos um voto significativo ao Parlamento esta semana, mas vamos garantir que isso aconteça em 12 de março”, disse May aos repórteres, a caminho do Egito para a reunião de cúpula da Liga Europeia-Árabe.

“Ainda está em nosso alcance deixar a União Europeia com um acordo no dia 29 de março. E é isso que estamos trabalhando para fazer.”

Em Sharm El-Sheikh, no Egito, May tentará obter o suporte dos líderes europeus para garantir as mudanças e acalmar as frustrações na Europa quanto ao impasse político no Reino Unido em relação ao que foi combinado com Londres em novembro.

A União Europeia  descartou uma reabertura do acordo de retirada, embora ambos os lados estejam avaliando possíveis adendos jurídicos para acalmar os parlamentares que se recusam a aceitar a cláusula elaborada para garantir que não haja uma fronteira dura entre a República da Irlanda e a Irlanda do Norte.

 (Com EFE)