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Líbia: fracassa negociação sobre rendição de Bani Walid

Por Por Deborah Pasmantier 4 set 2011, 17h05

As negociações para a rendição das tropas leais ao coronel Muamar Kadhafi na cidade de Bani Walid, a sudeste de Trípoli, fracassaram neste domingo, informou o chefe dos negociadores do novo governo líbio.

“Deixo para nosso comandante militar a solução do problema”, disse Abdallah Kenchil aos jornalistas sobre um eventual ataque após o fracasso das negociações, iniciadas há vários dias com os chefes tribais de Bani Walid.

“Eu, como chefe dos negociadores, não tenho mais nada a oferecer. De minha parte” não há mais o que fazer.

Kenchil explicou que no início sua equipe rejeitou negociar diretamente com os combatentes pró-Kadhafi, mas depois aceitou conversar com aqueles que “não tivessem sangue nas mãos”.

As forças ligadas a Kadhafi “queriam vir (negociar) com suas armas, e negamos isto. Também pediram que entrássemos desarmados em Bani Walid para poder nos matar”.

“Deixemos que os chefes tribais (em Bani Walid) discutam entre eles e resolvam o problema”.

Segundo Kenchil, dois filhos do ditador líbio, Saadi e Muatasim, estão na cidade. “Kadhafi, seus filhos e muitas pessoas ligadas a ele vieram a Bani Walid”.

Alguns partidários de Kadhafi “já escaparam”, mas não “seus dois filhos”, Saadi e Muatasim, garantiu.

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Combatentes locais confirmaram que várias pessoas próximas a Kadhafi, incluindo Saadi, permanecem na cidade, mas o ditador já partiu.

Civis que saíram no sábado revelaram que muitos combatentes leais a Kadhafi fugiram para as montanhas levando armas pesadas, e que Bani Walid parece uma cidade fantasma, com as lojas fechadas, sem gasolina e gás.

Segundo Mahmud Abdelaziz, porta-voz local do Conselho Nacional de Transição (CNT), “durante a noite (de sábado) as forças de Kadhafi tentaram sair” de Bani Walid, “mas nossos combatentes responderam e ocorreram pequenos confrontos que duraram alguns minutos”.

No sábado, o presidente do Conselho Nacional de Transição, Mustafá Abdeljalil, confirmou o prazo até 10 de setembro para a rendição dos “kadhafistas”, citando as cidades de “Sirte, Bani Walid, Al Jufra e Sebha”.

Mas o número dois do Conselho Militar de Tarhuna, Abdelrazek Naduri, deu aos “kadhafistas” em Bani Walid um prazo de rendição mínimo, que venceu às 10H00 local (05H00 Brasília) deste domingo.

Naduri advertiu na manhã de domingo que se não houver rendição suas tropas avançarão sobre Bani Walid, mas “se as negociações derem bons resultados, entraremos e içaremos nossa bandeira sem combater”.

“Esta é sua última oportunidade, não se pode adiar o ultimato”, disse Naduri sobre os “kadhafistas” na cidade.

No posto de controle de Shishan, no meio do deserto, 70 km ao norte de Bani Walid, vários combatentes expressavam sua impaciência para atacar logo o oásis controlado pelos partidários do ex-ditador da Líbia.

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