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Libertado após dez anos de prisão, ex-magnata russo diz que não quer saber de política

Mikhail Khodorkovski afirma ainda que não pretende recuperar bens da sua antiga companhia petrolífera

Por Da Redação - 22 dez 2013, 10h52

O ex-magnata russo Mikhail Khodorkovski afirmou em entrevista publicada neste domingo que não pretende mais se envolver com política nem recuperar os bens da sua antiga empresa petrolífera, a Yukos. Homem mais rico da Rússia no início dos anos 2000 e um opositor do presidente Vladimir Putin, Khodorkovski foi solto na sexta-feira, após passar dez anos na prisão por evasão de divisas e sonegação de impostos.

“Não farei política nem lutarei para recuperar os bens da Yukos”, disse ele à revista russa The New Times. Ele também afirmou que declarou isso a Putin em carta em que solicitava perdão. Incialmente, a pena de Khodorkovski deveria se estender até o ano que vem, mas a sua libertação foi antecipada por ordem de Putin, em um gesto que está sendo interpretado como uma tentativa de melhorar a imagem do país antes da realização dos Jogos Olímpicos de Inverno, que vão ocorrer em fevereiro no país.

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Apesar das declarações, Khodorkovski disse que pretende ajudar outros prisioneiros políticos e disse que não houve imposição de condições para a sua libertação, e que ele não esteve atrelada a uma admissão de culpa. Após a prisão do magnata, sua empresa quebrou e as propriedades e concessões foram entregues para a estatal Rosneft, controlada por um aliado de Putin.

Após ser solto, Khodorkovski voou para Berlim. O ex-magnata afirmou que as autoridades russas desejavam que ele deixasse o país. “As autoridades podem até dizer que não me enviaram para o exílio, e que fui eu quem pediu para deixar o país. Mas conhecemos a nossa realidade, podemos compreender perfeitamente que me desejavam fora”, declarou.

Ele também disse à revista The New Times que só pensa em retornar à Rússia se tiver certeza de que poderia sair no momento em que quisesse. Voltarei apenas se estiver seguro que poderei deixar o país quando necessário”, acrescentou.

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Por fim, Khodorkovski acrescentou que foi o ex-ministro alemão das Relações Exteriores Hans-Dietrich Genscher quem abriu caminho para sua libertação, sugerindo a ideia de um pedido de indulto por razões humanitárias, evocando a saúde de sua mãe, que sofre de um câncer e está se tratando na Alemanha.

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