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Liberada para jantar com o filho, Sakineh fala à imprensa

Iraniana diz que processará jornalistas alemães e outros que a 'desonraram'

Por Da Redação - 2 jan 2011, 09h12

Sakineh Mohammadi-Ashtiani, a mulher iraniana acusada de adultério e do assassinato de seu marido, anunciou que planeja denunciar os dois jornalistas alemães detidos no Irã, que tentaram entrevistar seu filho, Sajjad Ghaderzadeh. Após ser liberada no sábado para jantar com a família, Sakineh foi autorizada a falar com a imprensa, reunida em um edifício do governo na cidade de Tabriz, no oeste do Irã. Em entrevista coletiva, ela declarou que os “dois alemães” a envergonharam e questionou o que os dois foram fazer no país.

“Disse a Sajjad que processe aqueles que desonraram a mim e ao meu país”, declarou à imprensa. A iraniana enumerou ainda outros que pretende processar: seu ex-advogado Mohammad Mostafaie, Mina Ahadi, que dirige o Comitê Internacional Antiapedrejamento, com sede em Berlim, e seu cúmplice no assassinato de seu esposo, Issa Taheri. Segundo a rede estatal de televisão, Press TV, Sakineh também negou que tenha sido coagida a admitir culpa e responsabilidade no assassinato do marido.

Os dois repórteres, que trabalham para o jornal Bild am Sonntag, foram detidos em 10 de outubro, junto ao filho de Sakineh e seu advogado, Javid Houtan Kian. Os quatro permanecem na prisão. A princípio, os dois jornalistas foram acusados de espionagem, mas semanas atrás o governo iraniano deu a entender que só os acusaria pelo crime de entrada ilegal no país, já que chegaram ao Irã como turistas e não solicitaram a permissão especial de imprensa que o Executivo exige.

Mais cedo, o filho de Sakineh fez um novo apelo para que a mãe não seja executada. Ele declarou, porém, que considera Sakineh e seu cúmplice, Issa Taheri, responsáveis pela morte de seu pai.

‘Ambiguidades’ – Neste domingo, um alto representante da Justiça iraniana, citado pela agência Fars, afirmou que a pena de morte por apedrejamento de Sakineh poderia ser anulada. Ao ser perguntado sobre o assunto, Malek Ajdar Sharifi, chefe de Justiça da província do Azerbaijão leste, declarou que “qualquer coisa é possível”, destacando que ainda há algumas “ambiguidades” nas “provas” deste caso, o que tem atrasado a decisão final.

A pena de apedrejamento contra Sakineh provocou comoção na comunidade internacional, razão pela qual as autoridades iranianas decidiram suspendê-la até revisar o caso. A iraniana, detida em Tabriz (noroeste do Irã), foi condenada à morte por dois tribunais diferentes em 2006 pelo envolvimento no assassinato do seu marido. A condenação por assassinato foi reduzida, em apelação em 2007 a 10 anos de prisão, mas a sentença a morrer apedrejada por adultério foi confirmada o mesmo ano por outra corte de apelação.

Em meados de dezembro, o advogado da iraniana quebrou o sigilo do caso e deu detalhes sobre as agressões sofridas por Sakineh ao longo dos anos. Segundo Mohammad Mostafei, a iraniana vem de uma família pobre da cidade de Osku e foi obrigada pelo pai a se casar com Ebrahim Ghaderzadeh, que desde o princípio “a tratou brutalmente”.

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