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Líbano vai às urnas escolher novo Parlamento no domingo

Eleição é sinal de superação da crise política que se arrasta há mais de uma década no país; libaneses no Brasil votaram em 29 de abril

Mais de 3,6 milhões de libaneses estarão aptos a votar neste domingo na primeira eleição parlamentar do país em nove anos. O significado do pleito vai além da escolha de 128 parlamentares dentre 583 candidatos e, consequentemente, do próximo primeiro-ministro. Trata-se do primeiro sinal de superação do período de turbulências políticas vivido pelo Líbano há mais de uma década e de retomada da normalidade democrática.

Com a eleição para a Assembleia Nacional libanesa, o atual primeiro-ministro, Saad Hariri, tende a ser reconduzido, segundo o jornal francês Le Monde. No final do ano passado, Hariri anunciou sua renúncia durante uma visita oficial à Arábia Saudita. Em discurso televisionado, argumentou ser vítima de uma ameaça terrorista e acusou o Irã de interferir na política libanesa.

O presidente libanês, Michel Aoun, rejeitou essa decisão e acusou o governo saudita de haver detido Hariri, em uma atitude hostil a Beirute. Ao final de interferência da França na questão, Hariri retornou ao Líbano e retomou seu cargo.

A crise política libanesa impossibilitou a organização de eleições parlamentares em 2013 e 2017. Em sua origem está o assassinato do primeiro-ministro Rafik Hariri em 2005, a gota-d´água para o início da Revolução do Cedro, movimento popular que culpava o governo sírio e pedia o fim dos 29 anos de ocupação militar pelo país vizinho. A polarização política chegou a extremos, com o Hezbollah liderando os grupos pró-Siria em oposição ao bloco anti-Síria, apoiado pelo Ocidente e pela Arábia Saudita.

Desde a eleição parlamentar de 2009, o Líbano assistiu ao colapso de governos em 2011 e em 2013 e à vacância da Presidência por 29 meses, até a eleição de Michel Aoun, em outubro de 2016. Aoun é lider do Movimento Patriótico Livre, aliado do Hezbollah. Os parlamentares eleitos em 2009 tiveram seus mandatos estendidos duas vezes.

Urnas no exterior

O governo libanês autorizou a votação no exterior dos 12.615 eleitores que deixaram o Líbano em decorrência das turbulências políticas. No Brasil, deu-se no último dia 29 abril, com urnas disponíveis na embaixada do Líbano em Brasília, e nos consulados em São Paulo e em Foz do Iguaçú. O próprio embaixador libanês, Joseph Fayad, viajou nesta semana a Beirute para entregar as urnas às autoridades eleitorais.

“A eleição marca o início de uma jornada que não vai parar até o retorno de todos os libaneses para o país deles”, escreveu no Twitter o ministro das Relações Exteriores, Gebran Bassil, que se disse “muito orgulhoso” de testemunhar uma eleição na qual expatriados poderão votar.

O Líbano mantém um relativo equilíbrio na distribuição dos mais altos cargos públicos como meio de evitar conflitos entre seus principais grupos religiosos. A fórmula foi estabelecida pelo Pacto Nacional de 1943, baseado no último censo populacional disponível, de 1932, que concluiu haver uma maioria de 51% de cristãos maronitas entre os habitantes do país.

Definiu-se, então, que o presidente libanês seria sempre um maronita, o primeiro-ministro viria da comunidade muçulmana sunita, e o presidente da Assembleia Nacional seria xiita.  Em 1989, com o fim dos quinze anos de guerra civil, o Acordo de Taif previu a criação de uma Assembleia Nacional com 128 cadeiras divididas igualmente entre muçulmanos e cristãos. Desde 1932, não se realizam censos no Líbano.