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Líbano põe em prática controle na fronteira com a Síria

Autoridades passam a exigir visto de cidadãos sírios. Líbano tem mais de 1 milhão de refugiados do país vizinho

O Líbano colocou em prática nesta segunda-feira novas medidas de controle de imigração na fronteira com a Síria com o objetivo de restringir a entrada de refugiados. Os cidadãos sírios agora precisam obter visto para ter acesso ao território libanês, algo inédito na história dos dois países.

Serão seis tipos de permissão para entra no país – turismo, negócios, estudante, trânsito, médico ou curta duração. Cada um dos vistos requer documentação específica, como reserva de hotel e 1.000 dólares para turistas ou um convite de uma empresa libanesa para viagens a negócios.

O conselheiro do Ministério do Interior do Líbano, Khalil Jebara, disse que o país continuará reconhecendo exceções humanitárias, mas ressaltou que as restrições são necessárias. “Nós estamos respeitando nossas obrigações internacionais (…), não expulsaremos ninguém e haverá exceções humanitárias. Mas é hora de regular o tema dos sírios que entram no Líbano”.

Jebara ressaltou que a presença de 1,1 milhão de refugiados sírios no país impõe “uma carga importante em termos econômicos, sociais e de segurança”.

Um porta-voz do Acnur, a agência da ONU para os refugiados, disse que o órgão entende as razões do governo de Beirute, embora vá trabalhar para garantir que “os refugiados não serão devolvidos a situações nas quais suas vidas corram perigo”.

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Os Estados Unidos reconheceram que o enorme fluxo de refugiados representa um “desafio” para o Líbano, mas disse estar “preocupado pela imposição dos vistos”. “Incentivamos o governo do Líbano a colaborar estreitamente com a ONU para por em prática critérios para que os que fogem da violência e da perseguição possam entrar”, disse a porta-voz do Departamento de Estado, Jennifer Psaki.

O embaixador da Síria no Líbano, Ali Abdul Karim Ali, disse que seu país compreende as novas restrições, mas pediu que haja uma “coordenação” com Damasco.

Diferentemente de Jordânia e Turquia, outros dois países com grande número de refugiados sírios, o Líbano se negou a criar acampamentos para eles, o que significa que os deslocados se espalham por todo o país.

(Com agências France-Presse e Reuters)