Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Lei que pune governo de Maduro avança no Congresso americano

Projeto agora poderá ser levado à votação no plenário da Câmara. Relatório da Human Rights Watch aumentou pressão por sanções contra a Venezuela

O Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Estados Unidos aprovou nesta sexta-feira um projeto de lei bipartidário que impõe sanções contra alguns funcionários do governo do presidente Nicolás Maduro, em resposta aos protestos e a repressão vividas na Venezuela há três meses – reporta o jornal Washington Post. Este é o primeiro passo legislativo necessário para que o texto possa ser votado no plenário da Câmara e, então, encaminhado ao Senado.

A iniciativa, apresentada pela deputada republicana pela Flórida, Ileana Ros-Lehtinen, teve o apoio de outros catorze representantes, seis deles democratas, e foi aprovada em uma votação a viva voz com apenas dois votos contrários. “O Comitê de Relações Exteriores atuou esta manhã com uma voz bipartidária, condenando as violações contra os direitos humanos que ocorrem na Venezuela”, disse Ileana.

Leia também

‘Crise na Venezuela põe em xeque o papel do Brasil’, diz diretor da Human Rights

Venezuela acusa Kerry de ‘incentivar’ protestos contra governo

Judiciário da Venezuela serve a Maduro e ignora tortura, alerta Human Rights Watch

O projeto de lei prevê a criação de um fundo de 15 milhões de dólares para promover a democracia na Venezuela, a revogação de vistos e o congelamento de ativos nos EUA de funcionários venezuelanos considerados responsáveis de violação de direitos humanos no país. Durante o debate no Comitê, o projeto só teve dois opositores, os democratas Gregory Meeks e Karen Bass, que argumentaram que o texto lembra ações do passado que provocaram críticas de intervencionismo na América Latina e foram responsáveis pelo crescimento da falta de confiança dos latinos com os EUA. (Continue lendo o texto)

As sanções estão ganhando apoio no Congresso americano depois da divulgação de um relatório contundente esta semana pela Human Rights Watch. O documento afirma que juízes e promotores têm ignorado repetidamente evidências de abusos dos direitos básicos pelas forças do governo, citando dezenas de manifestantes que sofreram torturas físicas e psicológicas graves.

O projeto foi aprovado na expectativa da chegada à capital americana de centenas de venezuelanos exilados que pretendem se manifestar no Congresso e na Casa Branca para pedir ações contra o governo de Maduro. Desde o início das manifestações na Venezuela, em 12 de fevereiro, 42 pessoas morreram e mais de 700 ficaram feridas. A população protesta contra a altíssima inflação, o desabastecimento de produtos básicos e a violência no país. Os manifestantes também clamam por mais liberdade de expressão e maior abertura política no país.