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Lei mexicana faz com que tigres e leões sejam vendidos a “preço de banana”

Lei contra o uso de animais silvestres nos circos fez com que a indústria passe a vendê-los por uma quantia relativamente barata

Por Da Redação 8 jul 2015, 20h51

Atualmente, comprar um tigre na Cidade do México está ao alcance de qualquer um que tiver pouco mais de 6.000 reais. A nova realidade é consequência da criação de uma lei contra o uso de animais silvestres nos espetáculos circenses, o que levou a muitos circos a vendê-los por uma quantia relativamente barata. A norma, que entrou em vigor nesta quarta-feira na capital mexicana, fez com que empresários e trabalhadores do mundo do espetáculo enfrentassem uma das piores crises de sua história.

De acordo com Armando Cedeño, presidente da União de Empresários e Artistas de Circo (Uneac), a lei, promovida pelo Partido Verde Ecologista do México (Pvem) e aprovada em junho do ano passado, apresenta uma deficiência em planejamento e estratégia porque não levou em conta as consequências. Agora, o grupo recorre a medidas desesperadas, como a venda das espécies. “Um tigre branco, que custava 25.000 dólares (mais de 80.000 reais), está sendo vendido por 2.000 dólares (pouco mais de 6.000 reais) a zoológicos particulares, colecionadores ou prefeitos que estão construindo zoológicos”, disse. Segundo Cedeño, a medida afeta, ao todo, 700 circos e deixará mais de 1.000 pessoas desempregadas.

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Antes da Cidade do México, seis dos 32 Estados do país proibiram o uso de animais em circos (Colima, Guerrero, Guanajuato, Jalisco, Morelos e Querétaro) e vários outros estudam formas de fazer o mesmo. O Circo Atayde Hermanos, criado há mais de 120 anos no México, questiona a nova medida. De acordo com o diretor-geral, Andrés Atayde, a venda dessas espécies demanda um processo legal difícil, mas ele disse estar otimista sobre o futuro dos circos mexicanos, pois existem alternativas para o espetáculo. “Nem tudo é feito com os animais. Eles são uma parte importante para o circo, mas existem outras”, salientou.

Diversas organizações se posicionaram a favor da nova norma. No entanto, nem todos os ecologistas consideram que sua aplicação seja correta, como a jornalista ambiental Elena Hoyos. Em sua opinião, a medida devia focar não somente nos circos, mas também nos aquários e nas arenas de touradas. Além disso, segundo ela, 90% dos zoológicos do México não oferecem as condições adequadas. Até a próxima segunda-feira à noite, os circos terão a oportunidade fazer as últimas apresentações com os animais na capital mexicana.

(Com agência EFE)

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