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Le Pen é condenado por minimizar importância da ocupação nazista

Paris, 16 fev (EFE).- O Tribunal de Apelação de Paris condenou nesta quinta-feira a três meses de prisão isentos de cumprimento e a 10 mil euros de multa o fundador do partido ultradireitista Frente Nacional (FN), Jean-Marie Le Pen, por declarar que a ocupação nazista da França ‘não foi especialmente desumana’.

A sentença – da qual Le Pen já anunciou à imprensa francesa que irá recorrer novamente -, confirma a condenação pronunciada pelo Tribunal Correcional de Paris em 2008 por conta das declarações concedidas pelo político ultradireitista em entrevista em 2005.

Na ocasião, o ainda líder da FN – cujo cargo agora é de sua filha Marine – afirmou à revista de extrema direita ‘Rivarol’ que ‘na França a ocupação alemã não foi particularmente desumana, apesar de ter havido alguns atropelos, inevitáveis em um país de 550 mil quilômetros quadrados’.

Le Pen afirmou na mesma entrevista que a Gestapo teve algum papel positivo, como quando, segundo ele, impediu o massacre do povoado de Villeneuve-d’Ascq, perpetrado na noite de 1º de abril de 1944 por um oficial germânico, furioso porque um de seus esquadrões havia sofrido um atentado.

A Justiça ditou, e agora ratificou, uma condenação a Le Pen por ‘contestação de crimes contra a humanidade’ e ‘apologia a crimes de guerra’.

Nem o político de extrema-direita, nem seu advogado estavam presentes quando o Tribunal de Apelação pronunciou a sentença.

Esta não é a primeira vez que Le Pen é condenado por suas polêmicas declarações. Em 2005 teve uma multa de 10 mil euros imposta por palavras ditas contra os imigrantes e em 1998 uma pena similar por defender a desigualdade entre as raças.

Em 1997, foi condenado por dizer que as câmaras de gás foram ‘um detalhe da história’, enquanto oito anos antes havia sido sancionado por negar a existência deste instrumento de extermínio nazista. EFE