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Le Pen anuncia candidatura à presidência da França apesar de condenação por corrupção

Justiça francesa voltou atrás na inelegibilidade da ultradireitista, mas manteve veredito de culpada por desvio de verbas

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 7 jul 2026, 15h54
Le Pen anuncia candidatura à presidência da França apesar de condenação por corrupção Priorizar nos meus resultados Google

A líder de extrema direita Marine Le Pen anunciou nesta terça-feira, 7, sua candidatura oficial à eleição presidencial da França em 2027, apesar de uma condenação por desvio de recursos públicos que lhe impôs o uso de uma tornozeleira eletrônica durante um ano.

“Esta noite sou candidata à eleição presidencial”, declarou Le Pen à emissora TF1, ao anunciar um recurso contra a sentença que, em sua opinião, permitirá que ela faça campanha sem a tornozeleira, ao suspender sua aplicação.

A política de 57 anos recuperou o direito de concorrer à Presidência após uma decisão do Tribunal de Apelação de Paris que, embora tenha mantido sua condenação por desvio de recursos públicos europeus, reduziu a pena de inelegibilidade para 45 meses, dos quais 30 já foram cumpridos.

Ou seja, na prática, a ultradireitista poderá ocupar cargos públicos em 15 meses e lançar candidatura para o pleito do próximo ano, mesmo que ainda use tornozeleira — o tribunal também determinou uma pena de três anos de prisão, mas suspendeu dois deles e permitiu que o último fosse cumprido em regime aberto. Além disso, ela terá de pagar uma multa de 100 mil euros (mais de R$ 587 mil).

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Em declarações anteriores, Le Pen sugeriu que não disputaria o Palácio do Eliseu enquanto estivesse sob monitoramento eletrônico. Ela argumentou que o dispositivo afetaria a campanha e prejudicaria a candidatura. A ultradireitista havia sugerido que o atual presidente do partido de extrema direito Reagrupamento Nacional, Jordan Bardella, poderia substituí-la — não mais.

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Entenda as acusações

Em março do ano passado, Le Pen e outros membros de seu partido foram condenados por desviar verbas destinadas a assistentes parlamentares do legislativo da União Europeia para outras funções, um esquema que ela teria liderado entre 2004 e 2016 em violação às regras do bloco. Segundo os juízes, grande parte dos fundos foi para sua própria sigla, então conhecida como Frente Nacional, na política interna francesa.

O processo judicial teve origem em um alerta feito em 2015 por Martin Schulz, então presidente do Parlamento Europeu, às autoridades francesas. A sentença definiu que Le Pen estava no centro de um “sistema” criado para desviar fundos do legislativo europeu — inclusive para pagar seu guarda-costas e seu chefe de gabinete. No entanto, ninguém teria embolsado o dinheiro para uso pessoal.

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Todos negaram as acusações, e Le Pen argumentou que o dinheiro foi usado de forma legítima. Ela recorreu da decisão em janeiro deste ano. “Espero conseguir convencer os juízes da minha inocência. É um novo tribunal com novos juízes. O caso será reiniciado, por assim dizer”, afirmou a política de extrema direita na ocasião. Dito e feito.

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