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Lava Jato peruana pede 30 anos de prisão a líder da direita Keiko Fujimori

Filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, preso desde 2009, é acusada de lavagem de dinheiro, crime organizado e obstrução à justiça

Por Da Redação 11 mar 2021, 16h35

O procurador da força especial da Lava Jato do Peru formalizou nesta quinta-feira, 11, uma denúncia contra a líder do partido Fuerza Popular, Keiko Fujimori, pedindo 30 anos de prisão e a dissolução da legenda por lavagem de dinheiro da construtora Odebrecht, crime organizado, obstrução à justiça e falso testemunho.

José Domingo Pérez apresentou a acusação após dois anos e cinco meses de investigação. Se aceita, a filha do ex-presidente condenado Alberto Fujimori, preso desde 2009, não poderá deixar o país por 36 meses.

O promotor também pediu a prisão de outras 41 pessoas citadas na investigação, incluindo o marido de Keiko, que pode ser condenado a 22 anos e 8 meses de prisão.

[O caso] é sólido, assim como o são todos pontos os extremos da acusação levantados pela Promotoria. Estamos perante uma organização criminosa que, precisamente, tem praticado modalidades criminosas, e apresentamos essas denúncias para que o Poder Judiciário as avalie, com as garantias que todos os acusados merecem”, disse Pérez.

O ex-presidente Alberto Fujimori, por sua vez, teve recurso negado na semana passada para que deixasse a prisão para cumprir a sentença em uma casa no campo, alegando risco de contágio do novo coronavírus.

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O argumento da defesa é que Fujimori “é uma pessoa idosa que apresenta várias doenças crônicas e que o estabelecimento penitenciário no qual está detido não pode eliminar totalmente a ameaça de contágio da Covid-19”, de acordo com o portal La República.

Keiko Fujimori é uma das 19 candidatas presidenciais às eleições do Peru em 11 de abril, com possível segundo turno em junho. É a terceira vez que concorre. Ela disse em suas redes sociais que “por mais que um promotor queira obstruir a reta final do primeiro turno, continuarei enfrentando essa perseguição e avançarei com energia para que juntos possamos superar essa crise econômica e sanitária”.

De acordo com várias pesquisas, Fujimori não é uma das favoritas na corrida.

Domingo Pérez afirmou que a candidata teria recebido mais de um milhão de dólares da Odebrecht durante sua campanha da disputa presidencial de 2011. Ela também teria recebido dinheiro de empresários locais da indústria de laticínios e proprietários de cassinos em troca do apoio da bancada legislativa de Fujimori.

Depois de ser detida em 2019 e 2020, saiu da prisão preventiva em novembro passado. Ela negou diversas vezes ter cometido qualquer delito.

Contudo, os eleitores peruanos estão se encaminhando para as eleições com outra coisa na cabeça – a pandemia de coronavírus. Até agora, a crise de saúde deixou mais de 1,38 milhão de infectados e mais de 48.300 mortos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins.

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