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Las Vegas: polícia sugere que atirador contou com ajuda

Chefe de polícia diz que Stephen Paddock tinha planos de fugir do hotel e que pode ter sido auxiliado para planejar ataque

Por Da redação 5 out 2017, 11h24

Stephen Paddock, o responsável pelo massacre em Las Vegas que deixou 58 mortos e centenas de feridos, tinha a intenção de sobreviver e fugir e, possivelmente, contou com ajuda para elaborar o ataque. Essas são algumas das teorias elaboradas pelo chefe de polícia do condado de Clark, Joseph Lombardo, sobre as circunstâncias que rondam o caso.

“Vocês acham que ele realizou isso tudo sozinho?”, perguntou o xerife a jornalistas em coletiva na noite de quarta-feira. Lombardo revelou que as autoridades encontraram cerca de onze quilos de explosivos e 1.600 capsulas de munição dentro do carro de Paddock, estacionado no hotel Mandala Bay, de onde foram feitos os disparos. “Você precisa partir do pressuposto que, em algum momento, ele contou com ajuda”, sugeriu. Ele adicionou: “pode ser que Paddock fosse um super-homem, que deu cabo de tudo sozinho, mas é difícil, para mim, acreditar nisso”.

“O que sabemos é que Paddock foi um homem que passou décadas adquirindo armas e munição, e vivia uma vida secreta”, informou Lombardo. Os investigadores trabalham com a hipótese de que algo tenha acontecido com Paddock entre outubro passado e setembro deste ano. Neste período, disse o xerife, ele comprou 33 armas de fogo – rifles na sua maioria.

Para Lombardo, o atirador tinha planos de escapar com vida do quarto usado para cometer o ataque. Ele afirmou que as autoridades encontraram evidências do plano de Paddock de deixar o local, mas não disse quais elas seriam. Antes de cometer suicídio, “ele estava fazendo de tudo para enxergar uma forma de escapar naquele momento”, disse o chefe de polícia.

Teorias

As teorias de Lombardo sobre a tentativa de fuga de Paddock e uma suposta ajuda de terceiros para planejar o ataque não foram endossadas pelo FBI. Após a fala do xerife, Aaron Rouse, responsável pela divisão do FBI em Las Vegas, disse que “teorias são ótimas e todo mundo pode ter uma teoria, mas preciso lidar com fatos reais, o xerife precisa lidar com fatos reais”.

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De acordo com Rouse, o FBI trabalha com “um número de teorias”, mas não deu maiores detalhes sobre quais elas seriam. “Ele [Lombardo] não vai fazer suposições, e eu não vou fazer suposições”, disse sobre as investigações.

Entre outras informações sobre o caso, Lombardo disse que Paddock alugou um quarto no complexo de luxo Ogden por meio da plataforma Airbnb. O espaço tinha vista para o local onde, no fim de semana anterior ao ataque, aconteceu um festival de música. Sem revelar quando o quarto foi alugado, o xerife não soube responder a razão pelo qual o agendamento foi feito. “Ele estava fazendo um acompanhamento prévio? Não sabemos ainda”, disse.

Bilhete encontrado

As causas que motivaram Paddock a cometer o massacre permanecem um mistério. Lombardo afirmou que as autoridades encontraram um bilhete no quarto do atirador no hotel Mandala Bay, mas não deu detalhes sobre o conteúdo da mensagem, o qual ele disse não ser um “bilhete suicida”.

Em entrevista à rede CNBC, o vice-diretor do FBI, Andrew McCabe, disse que a falta de um motivo para o ataque, o mais mortal com armas de fogo da história dos Estados Unidos, é “uma surpresa”. “Esse caso é diferente porque não temos logo de cara uma marca que indique a ideologia ou motivação do atirador, ou até mesmo o que o levou a realizar o ataque”.

Marilou Danley, a companheira de Paddock que estava nas Filipinas no momento do ataque, desembarcou nesta terça-feira nos Estados Unidos e ontem foi ouvida pelo FBI. Em comunicado lido por seu advogado, ela negou conhecimento do ataque e disse que Stephen “nunca me disse nada nem tomou nenhuma ação que eu entendesse como uma advertência de que algo horrível como isso pudesse ocorrer”.

 

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