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Kremlin rebate Trump e nega que ataques ucranianos possam encerrar guerra mais rápido

Governo russo sustenta que escalada de incursões da Ucrânia contra seu território vão, por outro lado, prolongar o conflito

Por Sara Salbert Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 9 jul 2026, 16h19
Kremlin rebate Trump e nega que ataques ucranianos possam encerrar guerra mais rápido Priorizar nos meus resultados Google

A Rússia afirmou nesta quinta-feira, 9, que a avaliação dos Estados Unidos de que o aumento dos ataques ucranianos em território russo pode acelerar o fim da guerra é equivocada e advertiu que a intensificação pode, por outro lado, prolongar o conflito.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que há “certos equívocos dentro da administração da Casa Branca… em relação à ideia de que a escalada e a pressão militar podem abrir caminho para uma solução pacífica”. Segundo ele, esse raciocínio é falho e poderá levar Moscou a prolongar a guerra com a Ucrânia.

“Isso fará com que tenhamos de estabelecer uma zona de segurança maior — uma zona de amortecimento maior”, afirmou Peskov. “Consequentemente, alimentar as tensões e adotar medidas que impulsionem a escalada de forma alguma contribuirá para o processo de paz.” 

A declaração se dá após o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmar, durante uma cúpula da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), realizada na Turquia, que a Rússia enfrenta dificuldades crescentes para proteger seu espaço aéreo e que isso pode criar condições para negociações.

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Já o presidente americano, Donald Trump, disse: “É uma escalada, mas também é uma escalada que pode ajudar a levar a um fim.”

Nesta quarta-feira, Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, realizaram um encontro a portas fechadas às margens da cúpula da Otan, quando o presidente americano se comprometeu a permitir que os ucranianos fabriquem em casa mísseis Patriot, cruciais para alimentar as defesas aéreas do país, e hoje produzidos em solo americano.

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Questionado sobre a decisão do ocupante do Salão Oval, Peskov afirmou que Moscou não alimenta ilusões sobre o fornecimento de armas americanas a Kiev.

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“Não vemos a situação através de lentes cor-de-rosa, e o presidente Putin tem plena consciência disso. Ao mesmo tempo, há uma certa dualidade na posição dos Estados Unidos: ao contrário dos europeus, os Estados Unidos mantêm o desejo de facilitar um avanço rumo a um processo de paz. Eles podem se equivocar ou cometer erros às vezes, mas esse desejo nos parece sincero.”

Ataques ucranianos

Enquanto isso, a Ucrânia intensificou sua ofensiva para atingir as rotas de abastecimento russas na Crimeia, anexada pela Rússia em 2014. Depois de ampliar os ataques ao corredor terrestre que liga a Rússia à península, Kiev passou a atacar também as rotas marítimas no Mar de Azov.

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Segundo o comandante da força de drones ucraniana, Robert Brovdi, ao menos 25 embarcações foram atingidas e incendiadas nos últimos quatro dias. 

Os ataques fazem parte da estratégia ucraniana de impor um “bloqueio logístico” à Crimeia, com o objetivo de dificultar o transporte de combustível e suprimentos para as forças russas. A ofensiva também representa um golpe à capacidade naval de Moscou e ao esforço do presidente Vladimir Putin para manter o abastecimento da península. 

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