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Kosovo obterá ‘soberania completa’ em setembro

Quatro anos depois de sua independência unilateral da Sérvia, com o apoio dos Estados Unidos e da maior parte da União Europeia, Kosovo conquistará a “soberania completa” em setembro, decidiu nesta segunda-feira em Viena o Grupo de Orientação sobre o Kosovo.

“A vigilância internacional (do Kosovo) termina com a decisão do dia de hoje”, anunciou à imprensa o ministro austríaco das Relações Exteriores, Michael Spindelegger, após uma reunião do Grupo de Orientação sobre o Kosovo, que reúne Estados Unidos, vários Estados da União Europeia (UE) e a Turquia.

No entanto, a decisão do Grupo de Orientação não muda nada em relação às missões mobilizadas em território kosovar: a EULEX, missão de polícia e justiça mobilizada pela União Europeia, cujo mandato foi prolongado recentemente até 2014, e a Força da Otan no Kosovo (KFOR).

A reunião do Grupo em Viena ocorreu na presença do primeiro-ministro do Kosovo, Hashim Thaçi, que saudou um dia histórico e o início de uma “nova etapa para o Kosovo”.

Um funcionário de alto escalão sérvio minimizou a decisão do Grupo de Orientação.

Oliver Ivanovic, secretário de Estado no Ministério sérvio para o Kosovo, declarou à rede de televisão B92 que “esta decisão não representará grande coisa” para a comunidade sérvia do Kosovo, já que ela a “rejeitou desde o início”.

Em um comunicado, o Grupo de Orientação sobre o Kosovo indicou explicitamente que o acesso à “soberania completa” será efetivo em setembro, depois que o Parlamento kosovar tenha adotado as leis correspondentes. Depois disso, o Grupo realizará em Pristina uma última reunião para pronunciar sua dissolução.

O Grupo de Orientação sobre o Kosovo (ISG) é constituído por 25 países que, apesar da oposição firme de Belgrado, apoiaram a independência da ex-província sérvia, cuja população é majoritariamente de origem albanesa.

Entre eles estão Estados Unidos, Turquia, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, mas não a Espanha.

Pristina declarou unilateralmente sua independência no dia 17 de fevereiro de 2008, após a guerra de 1998/1999 travada entre os albano-kosovares e a Sérvia. A Otan efetuou na época bombardeios contra o Exército sérvio.

Depois, um mediador da ONU, o finlandês Martti Ahtisaari, promoveu a adoção de um processo de acesso do Kosovo à independência, “sob vigilância internacional”. Este processo foi rejeitado por Belgrado.

Diante da hostilidade de Belgrado, o processo de independência não foi totalmente implementado no norte do Kosovo, onde vive a minoria sérvia, que representa cerca de 6% dos 1,8 milhão de kosovares, em sua maioria de origem albanesa.

No entanto, a União Europeia obrigou a Sérvia a melhorar suas relações com o Kosovo se quiser abrir as negociações de adesão ao bloco.