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Kofi Annan inicia visita à Síria para avaliar plano de paz

Na segunda-feira, o enviado especial da ONU chega a Damasco em meio à repercurssão internacional do massacre que deixou mais de 90 mortos

Por Da Redação - 27 maio 2012, 09h22

O enviado especial da ONU para a Síria, Kofi Annan, iniciará amanhã sua segunda visita a Damasco em meio à repercussão internacional pelo massacre ocorrido na última sexta-feira em Al Haula e que deixou mais de 90 mortos. Annan deve avaliar a melhor forma de colocar em prática o cessar-fogo que, teoricamente, está em vigor desde 12 abril, mas que tem sido constantemente ignorado.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, sírios saíram às ruas em 15 de março de 2011 para protestar contra o regime de Bashar Assad, no poder há 11 anos.
  2. • Desde então, os rebeldes sofrem violenta repressão pelas forças de segurança, que já mataram mais de 9.400 pessoas no país.
  3. • A ONU alerta que a situação humanitária é crítica e investiga denúncias de crimes contra a humanidade por parte do regime.

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O diplomara chega na segunda-feira à capital Síria e se reúne na terça-feira com o presidente Bashar Assad. Além disso, espera-se que ele se encontre com dirigentes da oposição naquela que pode ser a última oportunidade para uma saída negociada à crise no país.

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Annan viaja à Síria para avaliar a aplicação de seu plano de paz de seis pontos, respaldado pela comunidade internacional e aceito pelo governo sírio, que contempla um cessar-fogo, a retirada das tropas da cidades, a entrada de ajuda humanitária e um diálogo entre as autoridades e a oposição. Na quarta-feira, o ex-secretário-geral da ONU deve apresentar um relatório ao Conselho de Segurança da organização sobre a viagem. Trata-se da segunda visita à Síria do enviado especial, que viajou ao país árabe pela primeira vez em 10 de março para se reunir com Assad e os opositores.

No território sírio, estão atualmente cerca de 300 observadores da ONU para verificar o cumprimento da iniciativa de paz. O mandato da Missão de Supervisão na Síria (UNSMIS) é de 90 dias e expira em julho. No entanto, a continuação da violência em diversas partes do país frustra as possibilidades de sucesso do plano. Embora os números sejam difíceis de serem comprovados, grupos de direitos humanos calculam que mais de 1.500 pessoas morreram desde que a iniciativa de Annan foi aceita pelas autoridades sírias no final de março.

A viagem do mediador ocorre em meio às críticas de vários países pela morte de ao menos 92 pessoas, 30 delas menores de idade, na cidade de Al Haula, na província de Homs, um dos principais redutos da oposição. O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, condenou esse massacre e pediu ao governo de Assad o fim imediato do uso de armamento pesado contra os centros de população.

Neste domingo, o governo de Damasco negou qualquer envolvimento no atentado. “Negamos de maneira absoluta a responsabilidade das forças governamentais no massacre de Al Haula”, afirmou em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Jihad Maqdisi, que culpou supostos grupos terroristas. “Esperamos que os países grandes se comportem como grandes e ajudem a Síria. Se querem o confronto, a Síria defenderá seu território.”

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Desde o início dos protestos, em março de 2011, o regime de Assad alega que enfrenta uma conspiração ‘terrorista’ financiada e dirigida do exterior. De acordo com dados das Nações Unidas, desde aquela data mais de 10.000 pessoas morreram na Síria em episódios violentos como o da última sexta-feira. Além disso, 230.000 pessoas tiveram que deixar seus lares, embora tenham permanecido no país, e outras 60.000 buscaram refúgio em países vizinhos como Turquia e Líbano.

(Com agência EFE)

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