Group 21 Copy 4 Created with Sketch.

Kofi Annan desembarca na Síria e afirma estar horrorizado

O emissário da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan, desembarcou nesta segunda-feira em Damasco, onde se reunirá com o presidente sírio Bashar al-Assad, e se declarou “horrorizado” com o recente massacre de Hula.

“Estou pessoalmente comovido e horrorizado com os trágicos acontecimentos dos últimos dias”, afirmou Annan à imprensa em Damasco, em uma referência ao massacre de Hula, no centro do país, que matou 108 pessoas na sexta-feira passada e rendeu ao regime de Assad uma condenação do Conselho de Segurança da ONU.

“É um ato repugnante, de graves consequências”, completou Annan, que visita a Síria pela segunda vez desde que foi nomeado mediador, há três meses.

“Aqueles que são responsáveis por estes crimes brutais deverão responder por eles”, disse o emissário internacional.

Annan afirmou compreender que o governo sírio tenha o desejo de comandar a própria investigação do massacre de Hula.

As conclusões da investigação serão divulgadas na quarta-feira.

“O emissário chegou a Damasco para reuniões com o presidente Bashar al-Asad e com autoridades”, afirmou o porta-voz de Annan, Ahmad Fawzi.

Também terá reuniões com representantes da oposição e da sociedade civil, assim como com o general Robert Mood, chefe da missão de observadores da ONU.

“Espero ter discussões sérias e francas com o presidente Assad e outras figuras do conflito na Síria”, afirmou Annan.

“Nosso objetivo é o fim do sofrimento”, completou Annan, antes de destacar que o povo sírio “está pagando um preço exorbitante no conflito”.

Segundo o emissário da ONU, a “mensagem de paz” não é direcionada apenas ao governo, mas a todos os que usam uma arma.

Por este motivo, Annan pediu mais uma vez a aplicação completa de seu plano de paz de seis pontos. Também pediu a todas as partes envolvidas que “ajudem a criar um clima propício para estabelecer as bases de um processo político confiável”.

Pelo menos 87 pessoas morreram na Síria no domingo, anunciou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), 37 delas na cidade de Hama (centro), onde as tropas governamentais executam uma ofensiva.

Este é um dos maiores balanços de vítimas em apenas um dia desde 12 de abril, quando entrou em vigor a trégua negociada por Kofi Annan.

O OSDH, com sede em Londres, informou que a cidade de Hama, um dos focos dos protestos, foi atacada com foguetes e disparos de metralhadores. Sete menores de idade e cinco mulheres estão entre as vítimas.

A ofensiva aconteceu no momento em que o Conselho de Segurança da ONU condenava de forma unânime em Nova York as autoridades sírias pelo massacre de sexta-feira contra um bairro residencial em Hula, que deixou pelo menos 108 mortos, incluindo mais de 30 crianças.

Nesta segunda-feira, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, afirmou que os dois lados no conflito sírio são responsáveis pelo massacre de Hula e disse que o fim da violência é a prioridade.

“Aqui nós temos uma situação na qual os dois lados claramente tiveram participação no fato de que cidadãos pacíficos foram mortos”, declarou Lavrov em uma entrevista coletiva após um encontro com o colega britânico William Hague.

“Quem está no poder na Síria é menos importante que o fim da violência”, completou.

“Nós não apoiamos o regime sírio, apoiamos o plano de Kofi Annan, mas as potências internacionais têm que atuar no mesmo jogo, que é trabalhar para aplicar o plano de Annan e não para obter uma mudança do regime”, disse Lavrov.

“Estamos muito preocupados vendo como o plano de Annan não é respeitado. Continuamos muito longe de nossos objetivos”, acrescentou.

O governo da China pediu nesta segunda-feira uma “investigação imediata” sobre o massacre de Hula, mas não apontou o regime de Bashar al-Assad como responsável. Pequim também defendeu a aplicação do plano de paz de seis pontos proposto pelo mediador da ONU e da Liga Árabe, Kofi Annan.

O governo do Irã também condenou o massacre de Hula, mas considerou “suspeita” a tentativa de culpar as forças do regime sírio.