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Kim Jong-un faz raro pedido de desculpas após morte de sul-coreano

Em carta divulgada por Seul, Pyongyang admite que soldados atiraram quase 10 vezes contra homem que entrou ilegalmente nas águas do país

Por Da Redação Atualizado em 25 set 2020, 12h21 - Publicado em 25 set 2020, 11h51

O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, fez um raro pedido de desculpas nesta sexta-feira, 25, após o “inesperado e vergonhoso” assassinato de um sul-coreano no mar, anunciou o governo de Seul, em uma maneira de apaziguar a indignação do vizinho do Sul.

O pedido de desculpas de Pyongyang, em particular do próprio Kim, é algo extremamente incomum e foi divulgado em um momento de congelamento das relações entre as Coreias, assim como das negociações entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos pela questão nuclear.

O líder norte-coreano afirmou que “lamenta profundamente o imprevisto e vergonhoso assunto” e pediu desculpas “por ter decepcionado o presidente Moon Jae-in e os sul-coreanos”, informou o governo de Seul.

  • Suh Hoon, assessor de Segurança Nacional da Coreia do Sul, leu uma carta do departamento do partido governante norte-coreano responsável pelas relações com o vizinho do Sul. Na carta, Pyongyang admite que soldados atiraram quase 10 vezes contra um homem que entrou ilegalmente nas águas do país e se negou a declarar corretamente sua identidade. Os guardas da fronteira abriram fogo como foram ordenados, segundo a carta.

    Pyongyang não confirmou o teor da carta e a imprensa estatal norte-coreana não mencionou o evento.

    De acordo com analistas, a Coreia do Norte está tentando usar a mensagem para apaziguar o vizinho do Sul, onde o assassinato, o primeiro do exército norte-coreano em 10 anos, provocou indignação.

    Em novembro de 2010, o exército de Pyongyang bombardeou a ilha sul-coreana de Yeonpyeong e matou quatro pessoas, dois civis e dois soldados. Alguns meses antes, um navio de guerra, o “Cheonan”, foi torpedeado, de acordo com Seul, por um submarino norte-coreano, um ataque que matou 46 marinheiro. Pyongyang sempre negou qualquer envolvimento.

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    A vítima, que trabalhava para a indústria pesqueira, morreu na terça-feira 22 e o corpo, deixado no mar em um primeiro momento, foi queimado mais tarde por temores de contaminação pelo novo coronavírus. Até o momento, a Coreia do Norte, que fechou as fronteiras no fim de janeiro, afirma que não registrou nenhum caso de Covid-19 em seu território. Não se sabe se isso se deve às restrições de locomoção impostas aos cidadãos, ou se o país vinha escondendo possíveis infecções.

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    Em julho, no entanto, o país admitiu um possível caso. De acordo com um relatório da agência de notícias oficial do governo comunista, um cidadão norte-coreano que fugiu para a Coreia do Sul e retornou ilegalmente ao país poderia ter sido infectado. Já a Coreia do Sul soma 23.455 casos, incluindo 395 mortes. 

    Ahn Chan-il, um desertor que virou um investigador com base em Seul, afirmou que é “extremamente raro que o comandante supremo do Norte peça desculpas, especialmente aos sul-coreanos e seu presidente”.

    “Acredito que é a primeira vez desde 1976”, disse, em referência ao caso conhecido como “assassinato do machado”, a morte de dois soldados americanos por soldados norte-coreanos na Zona Desmilitarizada (DMZ).

    Leif-Eric Easley, professor da Universidade de Ewha em Seul, disse que o suposto pedido de desculpas de Kim “reduz o risco de uma escalada entre as duas Coreias e mantém as esperanças de reconciliação de Moon”.

    “É um gesto diplomático que evita um possível conflito a curto prazo e preserva a possibilidade de obter benefícios a longo prazo de Seul”, completou.

    O presidente sul-coreano, Moon Jae-in, que sempre defendeu relações melhores com Pyongyang, chamou o ato de “chocante” e intolerável. 

    (Com AFP)

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