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Kerry e Putin mudam o tom, mas mantêm divergências sobre a Ucrânia

No encontro de mais alto nível entre os Estados Unidos e a Rússia desde a eclosão da crise no leste ucraniano, dupla evitou o confronto e valorizou a iniciativa diplomática

Por Da Redação - 12 Maio 2015, 21h50

O secretário de Estado americano John Kerry e o presidente russo Vladimir Putin abaixaram o tom de seus respectivos discursos após se reunirem por quatro horas nesta terça-feira. Mas mantiveram as mesmas discordâncias expressadas por Washington e Moscou sobre a crise na Ucrânia. Esta foi a primeira viagem do secretário à Rússia e o encontro de mais alto nível entre os países desde a eclosão da crise no leste ucraniano, amplamente financiada pelo Kremlin. Como retaliação pela interferência de Putin no confronto, os Estados Unidos e a União Europeia aprovaram sanções contra a economia russa e funcionários do governo. As relações diplomáticas entre os dois países têm se deteriorado desde então.

Kerry disse que nenhum dos lados esperava que um “grande avanço” fosse ocorrer após a reunião, mas valorizou a iniciativa de deixar um canal de comunicação aberto em meio às tensões. Ele ainda classificou o encontro com Putin de “franco” e agradeceu ao presidente russo por tê-lo recebido para conversas “significativas e sérias”. Publicamente, Moscou também evitou qualquer embate com os Estados Unidos. “Esta foi uma manifestação dos primeiros indícios do entendimento de que os dois maiores países devem retomar uma cooperação normal”, afirmou Yuri Ushakov, um conselheiro de Putin, segundo a agência de notícias Interfax.

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O secretário americano aproveitou a viagem à Rússia para se encontrar com o chanceler Sergei Lavrov. A reunião também durou cerca de quatro horas. O Wall Street Journal ressalta que o Kremlin fez mistério com relação à forma como Kerry seria recebido no país. A confirmação do encontro com Putin foi divulgada apenas uma hora antes de sua chegada ao país. O conselheiro Ushakov destacou que a ideia de realizar a viagem partiu do governo americano.

Funcionários do governo americano haviam adotado nos últimos dias um discurso cauteloso, sem grandes expectativas, para tratar da viagem de Kerry à Rússia. Já Moscou intensificou as críticas aos EUA, dizendo que Washington devia ser responsabilizado por causar um “difícil período” para as relações entre os países. As tensões na Ucrânia têm feito com que outros chefes de Estado ocidentais evitem encontros bilaterais com Putin. O próprio Kerry cancelou uma viagem a Moscou no início deste ano após novos conflitos no leste ucraniano serem registrados. No fim de semana, Moscou celebrou os 70 anos do fim da II Guerra Mundial com uma grande parada militar, mas teve os convites aos principais líderes do continente europeu ignorados.

Outros temas abordados no encontro entre Kerry e Lavrov diziam respeito à possibilidade de serem reiniciadas as negociações de paz entre o regime do ditador Bashar Assad e opositores sírios, o acordo nuclear com o Irã, a crítica situação no Oriente Médio e o programa nuclear da Coreia do Norte.

(Da redação)

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