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Kerry critica o comércio de escravos feito pelos jihadistas

Em uma reunião com mais de 20 países da coalizão internacional, o presidente Obama disse que a campanha contra o Estado Islâmico será de 'longo prazo'

O secretário de Estado americano, John Kerry, afirmou nesta quarta-feira estar “estarrecido” e chamou de “repugnantes” as práticas do grupo Estado Islâmico (EI), após a divulgação da notícia de que os jihadistas admitem que vendem mulheres e crianças da minoria yazidi como escravos. Os militantes do EI “agora reclamam o crédito pelo sequestro, escravidão, estupro, casamento forçado e venda de milhares de mulheres e crianças, algumas de apenas 12 anos”, lamenta Kerry em um comunicado. Foi a primeira vez que os Estados Unidos se pronunciaram oficialmente sobre a escravização de mulheres e crianças pelos jihadistas. No texto, o secretário de Estado também citou o genocídio de minorias étnicas e religiosas como uma das razões para justificar a decisão de iniciar, há três meses, uma ofensiva aérea contra o EI.

Na edição mais recente de sua revista de propaganda, Dabiq, o grupo jihadista admite pela primeira vez de forma aberta que está entregando como escravos integrantes da comunidade yazidi, que pratica uma religião sincretista. Dezenas de milhares de yazidis, uma minoria que vive principalmente na região norte do Iraque, se viram obrigados a abandonar suas casas após quatro meses de ofensiva jihadista na região.

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“Bombardeios aéreos vão continuar nas duas áreas”, afirmou Obama. A Casa Branca afirmou que o presidente não quer que Kobani seja domina pelos jihadistas e iria considerar um pedido de oficias militares para intensificar a campanha militar a fim de que isso não aconteça. Um oficial militar afirmou que autoridades internacionais discutiram “táticas em diversas frentes”, mas endossaram a atual estratégica.

A aliança enfrenta um novo desafio com o lançamento de bombardeios aéreos pela Turquia contra rebeldes curdos dentro da fronteira do país, prejudicando planos americanos de focarem os ataques nas milícias do Estado Islâmico. Os EUA têm pressionado a Turquia para assumir um papel mais ativo na campanha para destruir o grupo extremista.

(Com agências France-Presse e Reuters)