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Kerry cobra apoio de senadores a ofensiva contra a Síria

"Esta não é a hora para sermos espectadores de um massacre", diz secretário de Estado, em audiência da Comissão de Relações Exteriores do Senado

Por Da Redação 3 set 2013, 20h26

A Comissão de Relações Exteriores do Senado americano sabatinou por mais de três horas o secretário de estado, John Kerry, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e o chefe do Estado-Maior, Martin Dempsey, para esclarecer dúvidas quanto à proposta do presidente Barack Obama de intervir militarmente na guerra civil síria. O encontro realizado nesta terça-feira foi mais uma oportunidade para a administração Obama convencer a ala mais cética do Congresso americano a apoiar uma resposta dos Estados Unidos ao ataque com armas químicas que deixou mais de 1 400 mortos em Damasco. Embora a comissão tenha deixado transparecer que apoia uma ação militar, as divergências entre congressistas deram uma prévia das dificuldades que o governo encontrará para ver a proposta aprovada no plenário.

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Kerry iniciou o debate buscando reforçar a ideia de que os Estados Unidos não esperam derrubar o ditador Bashar Assad com os ataques à longa distância sugeridos por Obama, e sim enfraquecer a capacidade do regime de utilizar armas químicas novamente. “Esta não é a hora para sermos os espectadores de um massacre. Nem o nosso país e nem a nossa consciência conseguem lidar com o preço do silêncio”, disse. Hagel endossou a fala do secretário de estado e lembrou os riscos que a inação americana poderia trazer para a região. “O uso de armas químicas na Síria não é só um ataque à humanidade, mas uma séria ameaça à segurança nacional dos EUA e dos nossos mais próximos aliados. Não podemos permitir que o Hezbollah ou outros grupos terroristas se sintam incentivados a usar armas químicas.”

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Em vista da desconfiança da opinião pública com relação à intervenção na Síria, Kerry tratou de afastar as semelhanças com a operação militar que culminou na invasão do Iraque. Em 2003, Kerry e Hagel exerciam o mandato de senador quando votaram a favor da ofensiva americana que teria o objetivo de localizar armas de destruição em massa do ditador Saddam Hussein, uma acusação que depois se provou falsa. Desta vez, o secretário de estado tratou de assegurar aos senadores que a administração Obama têm provas suficientes de que Assad usou armas químicas contra a própria população. “Estamos especialmente empenhados em nunca mais pedir para nenhum membro do Congresso votar baseado em informações de inteligência imperfeitas. E foi por isso que a nossa inteligência avaliou e reavaliou os indícios que coletamos”, afirmou.

A primeira complicação para Kerry surgiu durante o questionamento sobre as garantias de que Obama não enviaria tropas para agir na Síria em hipótese alguma. O secretário de estado hesitou ao descartar por completo operações terrestres e chegou a dizer que seria “preferível” não enviar soldados ao país. A indefinição obrigou Kerry a retomar o assunto por diversas vezes, a fim de rechaçar esta possibilidade perante os dezoito senadores da comissão. “Estava apenas levantando questões hipotéticas sobre esta possibilidade, e pensando alto sobre os interesses americanos. O aval do Congresso para esta intervenção não permitirá operações terrestres na Síria de forma alguma”, ponderou.

A repetição de que os Estados Unidos não deveriam permanecer em silêncio diante do massacre perpetrado por Assad era interrompida esporadicamente por manifestantes que gritavam contra o início de uma nova guerra. A sabatina se arrastou tanto que até o senador republicano John McCain foi flagrado pelo jornal Washington Post jogando pôquer no celular. Os momentos finais do debate, contudo, reservaram a Kerry novas saias-justas. O secretário de estado enfrentou a oposição de senadores republicanos e democratas ao defender o apoio americano à oposição síria, alegando que os rebeldes estariam ficando “cada vez mais fortes” ao se distanciarem de grupos jihadistas ligados à Al Qaeda.

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O secretário também assegurou à ala descrente da comissão que a decisão tomada pelo Congresso será respeitada pelo presidente, embora o próprio Kerry tenha dito que a administração Obama não conta com uma derrota no plenário. Por fim, tratou de acalmar os ânimos com relação à oposição russa, dizendo que o governo de Vladimir Putin segue negociando com os Estados Unidos em outros assuntos.

Resolução – Ao encerrar a sessão, o chefe da comissão, o senador Robert Menendez, disse que Assad se parece com uma criança desafiando um cachorro raivoso com um pedaço de madeira. Os senadores deverão se reunir para redigir uma nova resolução sobre a intervenção militar na Síria, explicitando que o envio de tropas terrestres ficará terminantemente proibido. O texto deverá ser discutido em um novo encontro da comissão programado para esta quarta-feira. Já Kerry e Hagel deverão comparecer a uma reunião da Comissão de Relações Exteriores da Câmara dos Deputados, cujas lideranças declararam apoio a Obama nesta terça-feira. A proposta oficial deverá ser votada no plenário já na próxima semana, quando termina o recesso dos congressistas americanos.

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