Kast anuncia megapacote de reformas contra o crime organizado no Chile
Presidente chileno aposta em uma de suas principais promessas de campanha para reverter queda acentuada na popularidade
O presidente do Chile, José Antonio Kast, anunciou na quarta-feira, 5, em uma mensagem em vídeo ao país, que impulsionará um pacote de reformas no Congresso para combater o crime organizado, uma das principais promessas de campanha do ultradireitista. Ele chegou ao Palácio de La Moneda em março com o compromisso de colocar em prática um governo de “emergência” para combater com linha dura a criminalidade e a imigração ilegal, uma plataforma que a extrema direita latino-americana aperfeiçoou.
O Chile é um dos países mais seguros da América Latina, mas os assassinatos e sequestros aumentaram nos últimos anos com a chegada de grupos criminosos estrangeiros, como o venezuelano Tren de Aragua. A taxa de homicídios do país atingiu 5,4 para cada 100 mil habitantes em 2025, o dobro da década anterior, e outros tipos de crimes violentos continuam a aumentar, incluindo sequestros, que cresceram quase 180% nos últimos quatro anos.
“São mais de 30 projetos, alguns já em tramitação no Congresso e outros que apresentaremos nos próximos dias, que vão mudar a forma como enfrentamos o crime organizado no Chile”, afirmou Kast no pronunciamento televisionado.
Um dos projetos que ele anunciou pretende incluir na Constituição “o dever” do Estado de garantir a segurança das pessoas. “Isso nos permitirá ter um marco de ação muito mais amplo e ferramentas mais eficazes para combater o crime. Pertencer a uma organização criminosa será, por si só, um delito com penas agravadas”, disse o mandatário.
Pouco depois do anúncio, a oposição expressou as primeiras críticas.
“A reforma do presidente Kast deve incluir o fim do sigilo bancário para os narcotraficantes, algo a que eles se opõem de forma ferrenha. É incompreensível”, afirmou a deputada de esquerda Gael Yeomans, da Frente Ampla, em sua conta no X.
Fim da lua de mel
Nas últimas semanas, Kast sofreu uma queda de popularidade e foi criticado pela falta de resultados rápidos em sua prometida política de “linha dura” contra o crime, quase cinco meses após assumir o cargo. O presidente demitiu a ministra da Segurança, a ex-promotora Trinidad Steinert, depois de apenas 69 dias de mandato.
Em meio à instabilidade de seu gabinete, o anúncio desta quinta-feira “acaba sendo uma espécie de guinada para destacar que, no fundo, a casa está em ordem e o compromisso do governo se mantém”, disse à agência de notícias AFP o analista político Rodrigo Espinoza, da Universidade Diego Portales.
Este é o segundo grande pacote de medidas do governo, depois que o Congresso do Chile aprovou em julho quase a totalidade de uma grande reforma legislativa que concede benefícios tributários a grandes empresas, com a qual o governo pretende mudar o rumo econômico do país. A última norma pendente foi aprovada na terça-feira pelo Senado e agora aguarda a revisão do Tribunal Constitucional antes de sua promulgação.
Para combater a criminalidade, Kast reiterou a intenção de ampliar o período de retenção de imigrantes em situação irregular, cujo prazo atual é de cinco dias, e aumentar “a capacidade de expulsão efetiva” de pessoas sem documentos, sem revelar mais detalhes. Ele também afirmou que pretende aumentar as penas contra aqueles que recrutam menores para integrar grupos criminosos e que ampliaria o prazo de flagrante dos delitos de 12 para 24 horas, com o objetivo de facilitar as detenções.







