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Kast anuncia ‘lei tutti frutti’ com mais de 40 medidas para impulsionar economia do Chile

Plano prevê corte de impostos para empresas, incentivos ao investimento e reconstrução de áreas afetadas por incêndios; oposição promete resistência

Por Júlia Sofia Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 abr 2026, 15h29
Kast anuncia ‘lei tutti frutti’ com mais de 40 medidas para impulsionar economia do Chile Priorizar nos meus resultados Google

O presidente do Chile, José Antonio Kast, anunciou nesta quarta-feira, 16, um amplo pacote de reformas com o objetivo de impulsionar a economia do país e romper o que chamou de ciclo de estagnação. A proposta, que reúne mais de 40 medidas, será enviada ao Congresso nos próximos dias e deve enfrentar forte resistência da oposição.

Em seu primeiro discurso à nação desde que assumiu o cargo, em março, Kast afirmou que o projeto representa uma mudança de rumo. “Não chegamos aqui para repetir o ciclo anterior, chegamos para rompê-lo”, declarou. O plano inclui desde cortes de impostos até incentivos à reconstrução e estímulos ao investimento.

Em anúncio televisionado, Kast reforçou o caráter emergencial de sua gestão. “Este é o governo de emergência que prometemos. Não era retórica, são fatos concretos que vão mudar a vida de milhões de chilenos”, afirmou.

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Corte de impostos 

A principal medida do pacote é a redução gradual do imposto de renda das empresas, que deve cair de 27% para 23%, aproximando-se da média de países desenvolvidos. Segundo o governo, cerca de 150 mil empresas seriam beneficiadas.

A proposta também prevê redução temporária do IVA sobre imóveis novos, incentivos à repatriação de capitais e reconstrução de mais de mil moradias destruídas por incêndios florestais.

A meta do governo é reduzir o desemprego para 6,5% até 2030 e elevar o crescimento econômico para cerca de 4% ao ano — acima dos 2,5% registrados no ano passado. Kast também prometeu equilíbrio nas contas públicas ao fim do mandato.

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Desde que assumiu, o presidente vem adotando medidas de ajuste. Entre elas, cortes de gastos em ministérios, revisão de regulações ambientais e mudanças em fundos que amorteciam o preço dos combustíveis.

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Essas decisões tiveram impacto direto no custo de vida. Os preços dos combustíveis chegaram a subir até 60%.

Apesar de a direita ter maior presença no Parlamento, o governo não possui maioria suficiente para aprovar o pacote sem negociações.

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A oposição critica principalmente o corte de impostos. Para Constanza Martínez, da coalizão de esquerda, a proposta beneficia os mais ricos enquanto reduz recursos para políticas públicas. “Enquanto promove reduções de impostos que favorecem os setores de maior renda, o governo corta gastos que poderiam beneficiar a classe média e trabalhadora”, afirmou ela à agência de notícias AFP.

“Lei tutti frutti”

O pacote foi apelidado de “Lei Tutti frutti”, sugerindo falta de foco.

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Analistas avaliam que a estratégia de reunir diversas medidas em um único projeto busca aumentar as chances de aprovação. Isso ocorre porque algumas propostas, como o corte de impostos corporativos, teriam destino incerto se apresentadas isoladamente.

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Para o governo, no entanto, a reforma é essencial. O ministro da Fazenda, Jorge Quiroz, defendeu que a redução tributária não favorece apenas os mais ricos, mas estimula o investimento. “É um imposto que se reduz para que as empresas tenham mais recursos para investir”, disse.

O plano também responde ao cenário herdado do governo anterior, liderado por Gabriel Boric. Segundo a atual administração, o país acumulou déficits fiscais por três anos consecutivos, enquanto a dívida pública ultrapassou 40% do PIB.

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