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Justiça uruguaia liberta mulher que matou ex-marido em jogo sexual

Montevidéu, 16 fev (EFE).- A justiça uruguaia ordenou que a mulher identificada como L.L.S., de 34 anos, que era vítima de maus tratos e assassinou o ex-marido estrangulado durante um jogo sexual, responda o processo em liberdade, confirmaram nesta quinta-feira fontes judiciais.

Este é o segundo caso em menos de 48 horas que a justiça desse país decide não encarcerar uma mulher por um fato similar, depois que outra vítima de maus tratos matou seu marido com tiro para se proteger em um episódio de violência doméstica.

Segundo os porta-vozes do Poder Judiciário, no primeiro caso, a justiça da cidade de San Carlos decidiu acusar a mulher de homicídio, mas negou sua prisão ‘pela situação de violência doméstica que vivia’ e ordenou sua prisão domiciliar por 90 dias.

O caso ocorreu na madrugada de quarta-feira, quando L.L.S. ligou para a Polícia para informar que tinha enforcado seu ex-marido e pai de seus quatro filhos com um cinto.

Segundo o relato judicial, o homem, que vivia numa casa ao lado da ex-mulher, tinha tentado se reconciliar quando L.L.S. chegou do trabalho, mas foi rejeitado.

No entanto, ordenou a dois de seus filhos que comprassem vinho e começou a agredir e insultar a mulher, obrigando-a, sob ameaças, a ir à sua casa para manter relações sexuais.

Assim, a mulher deitou seus filhos menores, a um dos quais disse que ‘tudo’ ia terminar e retornou ao quarto do ex-marido, que continuou com as agressões e a obrigou a manter relações sexuais de forma violenta.

Nesse momento, a mulher disse que se o que queria era ‘brincar’, poderia amarrar seus pulsos, e o homem consentiu.

Uma vez amarrado, a mulher enrolou um cinto no pescoço do ex-companheiro e viu ‘a oportunidade de terminar o calvário’ que sofreu durante anos e o estrangulou.

Segundo o juiz, o testemunho de vizinhos e amigos, incluindo o do pai da vítima, que testemunhou a favor da mulher indicando que era vítima de maus tratos e que temia que algum dia seu filho a matasse, fez com que o fato fosse considerado como não premeditado e não se decidisse prendê-la.

No outro caso similar, a justiça deixou livre a mulher cujo marido, ‘violento e alcoólatra’, com quem vivia sob ‘violência extrema’ há vários dias, o que também afetava seus três filhos, tinha ameaçado matá-la.

Aparentemente, o homem, durante uma discussão, tinha disparado para o alto com uma espingarda. Pouco depois, a mulher conseguiu roubar arma e, ao ser atacada por ele, o matou com um disparo.

Para a Justiça uruguaia, o caso foi um claro exemplo de legítima defesa e a mulher foi libertada imediatamente. EFE