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Justiça russa condena os principais opositores de Putin

O empresário e blogueiro Alexei Navalny está em prisão domiciliar e seu irmão Oleg foi condenado a três anos de reclusão. Processo teve conotação política

(Atualizado às 15h48)

A polícia russa prendeu nesta terça-feira à tarde o opositor russo Alexei Navalny na rua, quando ele se dirigia a uma manifestação de apoio convocada por seus partidários após sua condenação por desvios de fundos. A prisão foi mostrada pela TV independente Dojd. O empresário e blogueiro está em prisão domiciliar desde fevereiro e não tinha autorização para participar do protesto, previsto para acontecer em uma praça próxima ao Kremlin. As imagens da Dodj mostram que Navalny, vestido com um jaqueta escura e um gorro cinza, andava por uma grande avenida rodeado de simpatizantes quando foi detido por vários policiais e levado para um carro, perto da Praça de Manège, cercada por forças de segurança. “Não pude chegar na praça. Mas isso não quer dizer que vocês não o possam fazer. Peço a todos que não vão embora. Não podem deter todo mundo”, escreveu Navalny no Twitter pouco depois da prisão.

Horas antes, o opositor número um do Kremlin e seu irmão Oleg tinam sido condenados à prisão por desvio de fundos em um julgamento marcado por fortes conotações políticas, segundo entidades civis, que protestaram nesta terça-feira em Moscou. As condenações dos irmãos Alexei e Oleg Navalny são o epílogo de um ano no qual a Rússia de Vladimir Putin atraiu fortes críticas internacionais pela anexação da Crimeia e por seu envolvimento na guerra ucraniana. Ao término da leitura de uma rápida da sentença – incomum para os padrões da Justiça russa -, o tribunal de Moscou considerou culpados de fraude os dois irmãos. Alexei Navalny foi condenado a três anos e meio de prisão, mas teve sua pena suspensa na mesma sentença. Já Oleg Navalny deverá permanecer na prisão por esse mesmo período de tempo. “Por que motivo o colocam na prisão? Que escândalo é esse? É para me pressionar?”, exclamou Alexei, batendo com os punhos em uma mesa, antes que seu irmão, algemado, fosse levado do tribunal por policiais.

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Alexei Navalny tinha convocado seus partidários a sair às ruas nesta terça-feira em protesto e disse que é preciso destruir o regime de Putin. “Este regime não tem o direito de existir, deve ser destruído”, disse fora do tribunal. “Convoco todos a tomar as ruas hoje”, declarou. Seus apoiadores convocaram paralelamente um protesto nesta terça-feira às 19h00 locais (14h00 de Brasília) em uma praça aos pés da muralha do Kremlin. Na manhã desta terça-feira, 16.000 membros de uma comunidade no Facebook afirmavam que iriam à manifestação, enquanto caminhões da polícia já ocupavam a praça, segundo fotos divulgadas no Twitter.

Com 38 anos, Alexei Navalny é considerado o principal opositor de Putin, embora sua influência seja limitada em um país no qual os meios de comunicação independentes e os partidos da oposição foram reduzidos à mínima expressão nos últimos anos. Navalny, um blogueiro com ares nacionalistas e crítico da corrupção das elites russas, é acusado de ser apoiado pelo Ocidente. Ele estava desde fevereiro em prisão domiciliar, proibido de deixar a Rússia.

Os dois irmãos foram considerados culpados de ter desviado 27 milhões de rublos (mais de 1,1 milhão de reais) da filial russa da empresa francesa Yves Rocher. Eles também foram condenados a pagar 4,4 milhões de rublos (cerca de 190.000 reais) à empresa. A companhia empresa de transportes dos irmãos Navalny prestava serviço para a empresa francesa de cosméticos e foi alvo de uma denúncia de desvio de recursos. Porém, a Yves Rocher retirou a queixa afirmando não ter sofrido nenhum prejuízo durante sua colaboração com a transportadora.

Combate político – Em um comentário em seu site, o opositor considerou na véspera que seu processo ia muito além e que, no fundo, pouco importaria qual fosse a decisão. “Dez anos, cinco anos, dois anos de prisão? Uma pena em suspensão? Qual é a diferença?”, questionou. “A defesa de uma pessoa em particular ou de dois irmãos não pode ser a razão, a justificativa de um combate político”, insistiu. O anúncio da sentença estava previsto para 15 de janeiro, mas o tribunal anunciou subitamente na segunda-feira que a adiantaria. Segundo a advogada do opositor, Olga Mikhailova, trata-se de uma “data mais prática para tornar pública a sentença”, pouco antes do Ano Novo, e antes de vários dias festivos na Rússia, com muitos moradores fora de Moscou e longe das notícias.

(Com agência France-Presse)