Clique e assine a partir de 9,90/mês

Justiça norueguesa pede nova avaliação psiquiatrica para Anders Breivik

Por Por Pierre-Henry DESHAYES - 13 jan 2012, 11h21

O tribunal de Oslo ordenou nesta sexta-feira uma nova avaliação psiquiátrica do autor dos ataques do dia 22 de julho na Noruega, Anders Behring Breivik, declarado criminalmente irresponsável no ano passado por dois especialistas, cujas conclusões são contestadas.

“A gravidade do caso exige que a responsabilidade penal (de Behring Breivik) seja re-examinada”, declarou a juíza Wenche Elizabeth Arntzen durante uma coletiva de imprensa.

Dois novos especialistas, Agnar Aspaas e Terje Toerrisen, deverão se pronunciar sobre a saúde mental do extremista de direita, 32 anos, responsável pela morte de 77 pessoas, “antes do julgamento” previsto para o dia 16 de abril.

Uma nova avaliação, no entanto, pode ser complicada pela recusa de Behring Breivik, já expressa através de seu advogado, de realizar novos exames.

No final de novembro, os dois primeiros psiquiatras nomeados pelo Tribunal de Oslo concluíram que Behring Breivik era psicótico e sofria de “esquizofrenia paranóica”, portanto, inimputável.

Caso tais conclusões forem confirmadas, Behring Breivik, autor do massacre mais sangrento na Noruega desde a Segunda Guerra Mundial, será passível de uma internação em um hospital psiquiátrico, em vez de uma prisão tradicional.

“A decisão ( de sexta-feira) não implica qualquer crítica do relatório dos primeiros peritos”, disse Arntzen, sublinhando “a necessidade de esclarecer esta questão, tanto quanto possível.”

Continua após a publicidade

Este primeiro relatório, aprovado por uma comissão forense, gerou uma onda de críticas na Noruega. Muitos enfatizam a minúcia com que Behring Breivik preparou seu plano de assassinato por vários anos e a frieza metódica com que o executou.

Em 22 de julho, disfarçado de policial, disparou por mais de uma hora contra um grupo de jovens na ilha de Utoeya, perto de Oslo, depois que explodir uma bomba perto da sede do governo norueguês.

Os dois ataques fizeram 77 mortos.

O perfil traçado pelos dois primeiros especialistas descreve um indivíduo perdido “em um mundo de ilusões”, incapaz de viver em sociedade.

Diante da controvérsia, vários advogados das famílias das vítimas e de sobreviventes solicitaram um novo exame psiquiátrico.

Especialmente depois de a imprensa revelar que três psicólogos e um psiquiatra, encarregados de monitorar Behring Breivik na prisão, disseram que não encontraram sinais de psicose e afirmaram que ele não necessita de tratamento médico.

Por sua vez, nem a defesa nem o Ministério Público pediram outra avaliação.

Em última instância, caberá ao Tribunal de Oslo decidir se Behring Breivik é penalmente responsável ou não durante o julgamento.

Continua após a publicidade
Publicidade