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Justiça da África do Sul absolve ex-presidente da Fundação Mandela no caso dos ‘diamantes de sangue’

Ex-presidente liberiano teria presenteado Naomi Campbell com as pedras contrabandeadas de Serra Leoa em troca de armas

Por Da Redação - 15 jun 2011, 18h59

Jeremy Ractliffe, ex-presidente do Fundo de Ajuda para a Infância de Nelson Mandela (NMCF), foi absolvido nesta quarta-feira pela Justiça sul-africana no caso dos “diamantes de sangue”. Ele havia sido indiciado por infração da lei de posse de diamantes, já que tinha em seu poder três pedras brutas com as quais o ex-presidente da Libéria, Charles Taylor, havia presenteado a top model Naomi Campbell.

Ractliffe se declarou inocente, afirmando ignorar que se tratava de diamantes. Se ele fosse considerado culpado, poderia ser condenado a até 10 anos de prisão e a uma multa de 37.000 dólares.

Histórico – Taylor teria presenteado Naomi com os três diamantes, em 1997. As pedras, que ficaram conhecidas como “diamantes de sangue”, eram o pagamento recebido pelo governo liberiano na venda de armas para rebeldes durante a guerra civil em Serra Leoa (1991 a 2002).

Em um depoimento, Naomi declarou ao Tribunal Especial de Haia para Serra Leoa (TESL) que, logo após receber os diamantes, os entregou a Ratcliffe porque queria que o material fosse usado para uma causa beneficente. Ele, no entanto, admitiu ter ficado com as pedras e jamais tê-las repassado à NMCF. “Eu disse a ela que não envolveria o Fundo em nada que pudesse ser ilegal. No fim das contas, decidi que deveria ficar com eles”, contou.

Ao renunciar ao cargo de membro do conselho da organização, poucos dias depois do depoimento da modelo, Ratcliffe se desculpou por ter causado “um possível risco à reputação” da fundação e entregou os “diamantes de sangue” à polícia.

Atualmente, Taylor responde por crimes de guerra no Tribunal Penal Internacional de Haia. Ele nega as 11 acusações, que incluem incitamento ao assassinato, estupro, mutilação, escravidão sexual e recrutamento de soldados infantis durante o conflito em Serra Leoa, em que mais de 250.000 pessoas morreram.

(Com agência France-Presse)

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