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Justiça condena Coulson e absolve Rebekah Brooks por caso de grampos telefônicos

O ex-diretor do tabloide 'News of the World' e ex-chefe de comunicação do primeiro-ministro britânico David Cameron foi o único réu considerado culpado

Andy Coulson, ex-diretor do News of the World e ex-chefe de comunicação do primeiro-ministro David Cameron, foi considerado pela Justiça culpado nesta terça-feira por ter grampeado ilegalmente telefones de políticos, membros da família real e celebridades britânicas. Segundo o jornal The Guardian, ele deve ser sentenciado a cumprir uma pena em regime fechado. A Justiça britânica ainda não definiu a pena de Coulson. Rebekah Brooks, também ex-diretora do News of the World e ex-amante de Coulson, foi absolvida no mesmo processo.

De acordo com o Guardian, o veredito de Coulson pode respingar negativamente em Cameron, que o contratou como diretor de comunicações apenas algumas semanas depois dele sair do News of the World. Coulson sempre negou que ele soubesse dos casos de grampos, mas chocou o júri quando admitiu que em 2004 ele teve acesso ao correio de voz do estão ministro do Interior, David Blunkett. Três anos depois, ele foi contratado por Cameron. Após saber do resultado do julgamento, o primeiro-ministro desculpou-se por ter contratado Andy Coulson. “Sinto sinceramente ter contratado. Foi uma decisão equivocada e digo isso abertamente”, afirmou Cameron em um comunicado.

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Entenda o caso

  1. • O tabloide News of the World recorria a detetives e escutas telefônicas em busca de notícias exclusivas – entre as vítimas estão celebridades, políticos, membros da família real e até parentes de soldados mortos.
  2. • Policiais da Scotland Yard também teriam sido subornados para fornecer informações em primeira mão aos jornalistas.
  3. • O escândalo forçou o fechamento do jornal sensacionalista, que circulou por 168 anos e era um dos veículos do grupo News Corp., do magnata Rupert Murdoch.
  4. • Agora, a polícia investiga uso de grampos ilegais em outros jornais britânicos.

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Os vereditos foram anunciados depois de uma semana de deliberações do júri. O julgamento durou mais de oito meses, mas a investigação do maior escândalo da história da imprensa britânica se arrasta desde 2011. Por causa da repercussão do caso dos grampos, o tabloide News of the World foi fechado e os legisladores britânicos alteraram as leis que regulam o trabalho da imprensa.

Além dos ex-diretores Rebekah e Coulson, outras cinco pessoas enfrentaram uma série de acusações, incluindo operação de escutas telefônicas ilegais e obstrução do trabalho da Justiça. Coulson foi o único réu considerado culpado de conspiração e de interceptação de chamadas de telefonia móvel e mensagens. Rebekah e os demais acusados foram inocentados de todas as acusações que pesavam contra eles.

Entre os casos de interceptação ilegal, o mais grave foi a invasão do telefone celular de uma adolescente sequestrada, que posteriormente foi encontrada morta pela polícia. O correio de voz da adolescente Milly Dowler foi interceptado por um investigador contratado pelo News of the World em 2002, quando Rebekah era a editora do semanário e Coulson era seu adjunto. Segundo a Justiça, a interceptação e a publicação de reportagens sensacionalistas com o conteúdo das mensagens atrapalharam o trabalho da polícia britânica que investigava o sequestro da menor.

O longo julgamento, segundo o The New York Times, forneceu uma “rara visão do funcionamento interno do jornalismo feito pelos tabloides britânicos, com relações estreitas entre jornalistas, políticos e altos funcionários da polícia”. O tabloide News of the World fazia parte do conglomerado de mídia do bilionário Rupert Murdoch, que também teve sua reputação abalada pelo escândalo.