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Júri livra policial acusado de matar homem negro em NY

Suspeito de vender cigarros ilegalmente morreu ao ser contido por vários policiais, um dos quais, Daniel Pantaleo, lhe aplicou uma "gravata"

Um júri popular de Nova York decidiu não levar a julgamento um policial branco acusado de matar um homem negro em Staten Island, ao sul de Manhattan, em julho passado, informou a imprensa americana nesta quarta-feira. Eric Garner, de 43 anos, suspeito de vender cigarros ilegalmente, morreu ao ser contido à força por vários policiais. Um deles, identificado como Daniel Pantaleo, lhe aplicou uma “gravata”, procedimento proibido pela polícia de Nova York desde 1993.

A detenção de Garner, pai de três filhos, foi registrada por uma câmera amadora. No vídeo, ele aparece imobilizado, seguro pelo pescoço, e se queixa várias vezes de não conseguir respirar. Obeso e asmático, ele perdeu os sentidos em seguida e foi declarado morto no hospital. Sua morte foi registrada como homicídio pelo instituto médico legal da cidade.

Após semanas de investigação, o júri popular de Staten Island declarou não ter encontrado evidências suficientes para julgar o policial, revelaram os jornais The New York Times e New York Post. Ainda se desconhece o resultado da votação ou as acusações apresentadas pela promotoria, segundo o New York Post, que citou fontes ligadas ao caso.

“Após deliberar sobre a evidência apresentada neste caso, o grande júri não encontrou causa razoável para aprovar um processo legal”, disse o promotor Daniel Donovan, sem dar detalhes sobre a votação das 23 pessoas que integravam o grupo.

Não violência – O prefeito Bill de Blasio fez um apelo à calma após a decisão: “Isto não é o que muitos em nossa cidade queriam, mas apesar de tudo, a cidade de Nova York tem uma tradição forte e orgulhosa de expressão por protestos não violentos. Confiamos em que os descontentes farão conhecer sua visão de modo pacífico e construtivo”.

De Blasio, que cancelou sua presença na tradicional cerimônia de iluminação da árvore de Natal do Rockefeller Center, anunciou que um grupo de 60 policiais testará, a partir deste final de semana, uma mini câmera em seus uniformes, em uma tentativa de dar mais transparência às ações da polícia. “As câmeras corporais farão com que as ruas sejam mais seguras e nossos policiais, mais eficazes”, afirmou o prefeito ao apresentar o projeto em uma coletiva de imprensa no Queens.

A decisão de não julgar Pantaleo ocorre dias depois de um júri de Ferguson, no Missouri, fazer o mesmo ao analisar o caso de outro policial branco que matou um jovem negro desarmado, gerando violentos protestos.

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(com agência France-Presse)