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Junta Militar convoca reunião de emergência após renúncia

Governo do premiê Essam Sharaf entregou carta de demissão, ainda não aceita

O Conselho Supremo das Forças Armadas (CSFA), que assumiu o poder no Egito desde a queda do ditador Hosni Mubarak, em fevereiro passado, convocou uma reunião de emergência na noite desta segunda-feira, logo após o governo do primeiro-ministro Esam Sharaf, anunciar sua renúncia. A decisão teria sido motivada pela onda de protestos que toma do país pelo terceiro dia consecutivo e já deixou mais de 20 mortos e 1.700 feridos.

Entenda o caso

  1. • Na onda da Primavera Árabe, que teve início na Tunísia, egípcios iniciaram, em janeiro, sua série de protestos exigindo a saída do então presidente Hosni Mubarak.
  2. • Durante as manifestações, mais de 850 rebeldes morreram em choques com as forças de segurança de Mubarak que, junto a seus filhos, é acusado de abuso de poder e de premeditar essas mortes.
  3. • Após 18 dias de levante popular, em 11 de fevereiro, o ditador cede à pressão e renuncia ao cargo, deixando Cairo. No lugar dele, assumiu a Junta Militar que segue governando o Egito até as eleições.

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A Junta Militar “convoca urgentemente todas as forças políticas e nacionais ao diálogo para examinar as causas que agravaram a atual crise e os meios para se encontrar uma saída, o quanto antes, para se preservar a paz nacional”, assinala o comunicado divulgado. Agências internacionais chegaram a noticiar que a cúpula militar havia aceito a carta de demissão, mas a TV estatal disse que o pedido foi recusado. Logo depois, o ministro da Informação egípcio, Osama Heikal, anunciou que nenhuma decisão foi tomada ainda. Ele garantiu, ainda, que o Executivo seguirá exercendo suas funções até que a Junta Militar dê o seu parecer a respeito.

“A demissão foi apresentada porque a maioria dos ministros viu que estava enfrentando grandes pressões que impediam o exercício das funções”, disse Heikal à agência oficial Mena. Devido a essas pressões, o titular de Informação explicou que “é necessário ou dar outra oportunidade ao governo ou formar um novo”. De manhã, o ministro da Cultura do país, Emad Abu Ghazi, já havia abandonado o cargo pelo mesmo motivo.

Eleições – Os violentos confrontos ocorrem a uma semana do início das eleições legislativas, que estavam marcadas para o próximo dia 28 e foram confirmadas pelo Executivo nesta segunda. Os manifestantes exigem que o poder militar abra caminho para um governo formado por civis. Os militares são acusados de querer se perpetuar no poder e manter o sistema repressivo do antigo regime.

Essam Sharaf, nomeado para a liderança do governo em março, era muito popular no movimento pró-democracia, mas sua imagem foi comprometida devido a sua fraqueza frente à tutela das Forças Armadas e à lentidão em aplicar as reformas exigidas por grande parte da população.

(Com agências EFE e France-Presse)