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Junho foi o mês mais mortal para civis na Ucrânia em mais de quatro anos de guerra

Rússia intensificou bombardeios contra áreas urbanas densamente povoadas, como a capital, Kiev. Resultado: 2026 tem 37% mais fatalidades que anos anteriores

Por Amanda Péchy Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 14 jul 2026, 10h46
Junho foi o mês mais mortal para civis na Ucrânia em mais de quatro anos de guerra Priorizar nos meus resultados Google

Junho de 2026 foi o mês com mais civis mortos pela guerra na Ucrânia desde a invasão russa, há mais de quatro anos, segundo um relatório publicado pelas Nações Unidas nesta terça-feira, 14.

“Após o forte aumento registrado em maio, o número de vítimas civis continuou crescendo, alcançando o número mais elevado de civis mortos e feridos desde abril de 2022”, afirmou uma nota da Missão de Monitoramento dos Direitos Humanos das Nações Unidas na Ucrânia (HRMMU).

O levantamento mostra que, em junho, pelo menos 293 civis morreram e 1.990 ficaram feridos em solo ucraniano. Segundo o relatório, 45% das vítimas estão relacionadas a mísseis e drones de longo alcance, em bombardeios que atingiram sobretudo cidades afastadas da linha de frente, como Kiev, no centro do país, e Dnipro, no centro-leste.

Escassez de munições defensivas

Além disso, o número de mortes de civis confirmadas na Ucrânia no primeiro semestre de 2026 foi 37% maior do que o saldo no mesmo período do ano anterior — e mais que o dobro do registrado em 2024. Os dados também mostram níveis recordes de ataques com drones explosivos na linha de frente, com 89 civis mortos e 588 feridos.

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Nos últimos meses, aproveitando-se da escassez de mísseis de defesa aérea da Ucrânia, a Rússia intensificou os bombardeios contra áreas urbanas densamente povoadas, especialmente a capital, Kiev. A evolução mostra “o uso cada vez mais frequente de armas potentes que são especialmente letais quando utilizadas em áreas urbanas densamente povoadas”, destacou Danielle Bell, representante da HRMMU.

Em aceno a esse problema, nove países europeus lançaram na segunda-feira 14 uma coalizão defensiva com Kiev, com o objetivo de reforçar as “capacidades antibalísticas” em toda a Europa.

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Contra-ataque ucraniano

As autoridades russas, por sua vez, relataram um aumento semelhante de baixas civis em seu território, citando 250 civis mortos nos primeiros seis meses de 2026 — 121% a mais do que no ano anterior, segundo o relatório.

A Ucrânia parece ter estabilizado a frente de batalha nos últimos meses e, embora seus estoques de defesa aérea estejam esgotados — consequência direta do início da guerra entre Estados Unidos e Israel no Irã —, intensificou os ataques de médio e longo alcance usando drones explosivos contra a Rússia. Seus principais alvos pertencem ao complexo petrolífero do país invasor, o que já provocou escassez de combustíveis, em especial na península da Crimeia.

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No total, as Nações Unidas registraram 16.431 mortes de civis ucranianos desde o início da guerra, em fevereiro de 2022, incluindo 803 crianças. No entanto, a organização afirma que esse número provavelmente é subestimado, pois não consegue verificar as mortes ocorridas durante os combates intensos nos primeiros meses de conflito em locais agora sob controle russo — incluindo Mariupol e Lysychansk, onde se acredita que milhares de pessoas tenham sido massacradas.

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