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Juncker é indicado à Presidência da Comissão Europeia

O ex-primeiro-ministro luxemburguês obteve a aprovação de 26 dos 28 países da União Europeia. Grã-Bretanha e Hungria foram contrários à sua indicação

O luxemburguês Jean-Claude Juncker foi escolhido nesta sexta-feira pelos líderes da União Europeia (UE) como presidente da Comissão Europeia, o braço executivo do bloco. A decisão foi anunciada pelo presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy. “Decisão tomada. O Conselho Europeu propõe Jean-Claude Juncker como o próximo presidente da Comissão Europeia”, comunicou Van Rompuy em uma mensagem no Twitter.

Após a nomeação pelo Conselho, a candidatura de Jean-Claude Juncker será submetida ao voto dos deputados europeus durante uma sessão do Parlamento Europeu que ocorrerá entre os dias 14 e 17 de julho – a data final ainda não está definida. Juncker deverá reunir pelo menos 376 votos para ser aprovado pelo Parlamento como presidente do Conselho Europeu. Sua vitória é dada como certa pelo Conselho e por seus apoiadores. Juncker irá substituir o português José Manuel Barroso, ex-primeiro-ministro de Portugal, que preside a Comissão Europeia desde 2004.

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Juncker não era um nome de consenso entre dois dos protagonistas do bloco europeu, Grã-Bretanha e Alemanha. David Cameron, primeiro-ministro britânico se recusava a aceitar o luxemburguês como futuro presidente do Conselho Europeu. Já a chanceler alemã Angela Merkel era uma das maiores defensoras de Juncker. Cameron chegou até a cogitar a possibilidade de atrasar o cronograma da votação no para o nome do indicado pelo Conselho Europeu, mas parceiros da Grã-Bretanha que também não apoiavam Juncker mudaram de posição nos últimos dias. O sueco Fredrik Reinfeldt, antes contártio, anunciou ser favorável a nomeação de Jean-Claude Juncker. Outro dirigente contrário, o primeiro-ministro holandês Mark Rutte, tomou a mesma decisão. Apenas o seu colega húngaro Viktor Orban se declarou ferozmente oposto à nomeação do ex-primeiro-ministro de Luxemburgo. Na reunião de hoje do Conselho Europeu, dos 28 países do bloco, apenas Grã-Bretanha e Hungria se opuseram à candidatura de Juncker, reporta a BBC citando fontes diplomáticas britânicas.

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A Grã-Bretanha considera Juncker um “federalista europeu à moda antiga” e defende a escolha de alguém mais aberto para reformar a UE e reduzir os poderes da Comissão, refletindo assim o voto de protesto generalizado contra o bloco, no mês passado, nas eleições europeias. Juncker foi indicado pelo Partido do Povo Europeu, de centro-direita, que venceu a maior parte dos assentos no Parlamento Europeu nas eleições. “Eu disse aos líderes da UE que poderiam viver para lamentar o processo de escolha do presidente da Comissão. Eu sempre vou lutar pelos interesses da Grã-Bretanha”, Cameron twittou após a decisão. Ele também disse que era “um momento triste para a Europa” e expressou sua “decepção de ter chegado a este ponto”. No passado, todas as nomeações foram feitas por unanimidade pelos líderes da UE.

“Eu já disse que, para mim, Jean-Claude Juncker é o candidato para o cargo de presidente da Comissão, e que eu quero tê-lo como o presidente da Comissão”, disse Merkel em entrevista coletiva nesta semana, reforçando seu apoio ao luxemburguês. O presidente francês François Hollande também estava apoiando Juncker e disse que a UE precisa “levar em conta o que aconteceu durante as eleições e assegurar que a Europa seja redirecionada”. Ele acrescentou que esforços são necessários para impulsionar o crescimento econômico e a criação de empregos, pedindo maior flexibilidade em orçamentos, uma clara referência as regras duras apoiadas por Berlim para redução de déficit.

(Com agência EFE)