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Juiz diz que vítima de assédio ‘acima do peso’ ficou ‘lisonjeada’

O magistrado canadense afirmou que a jovem de 17 anos ficou feliz por ser notada pelo agressor

Um juiz do Canadá está sendo muito criticado por fazer observações sobre o peso e a aparência de uma vítima de assédio sexual. O magistrado Jean-Paul Braun, do tribunal de Quebec, também sugeriu que a menina estava “lisonjeada” pela atenção que recebeu do agressor.

Ele fez os comentários enquanto presidia o julgamento de um motorista de táxi, acusado de assediar uma passageira de 17 anos em 2015. De acordo com o depoimento da vítima, Carlo Figaro tentou beijá-la, lambeu seu rosto e tocou seu corpo dentro do carro.

“Poderíamos dizer que ela está um pouco acima do peso, mas ela tem um rosto bonito, hein?”, disse o juiz durante o julgamento, de acordo com uma gravação obtida pelo jornal Journal de Montreal.

Ele também falou sobre os diferentes graus de consentimento necessários para abordar alguém, dizendo que para beijar a garota ele precisava de menos consentimento do que para tocá-la de forma indevida.

Ao final do julgamento, Braun declarou Carlo Figaro culpado pelo crime de assédio sexual. Ainda assim, o ministro da Justiça da província do Quebec afirmou que os comentários foram inaceitáveis e abriu uma queixa judicial contra o magistrado.

Esta não foi a primeira vez que o juiz de Quebec foi acusado de fazer observações inapropriadas. Em 2013, ele foi muito criticado por dizer que o caso de um operador de telemarketing que assediou uma mulher de 19 anos e tocou em seus seios não era “o pior crime do século”.