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JPMorgan Chase tem perdas de US$ 2 bilhões por erros em operações

O banco americano JPMorgan Chase anunciou na quinta-feira perdas de 2 bilhões de dólares nas últimas seis semanas devido a “erros” e “falta de rigor” em operações financeiras.

Em uma inesperada coletiva de imprensa, o presidente do banco, Jamie Dimon, afirmou que mais 1 bilhão de dólares se somarão a estas perdas antes do fim de junho, devido à “volatilidade do mercado”. Por isso, “o risco vai perdurar por vários trimestres”, advertiu.

O grupo investiga a origem das perdas, mas Dimon já adiantou que foram cometidos “muitos erros” e que houve “falta de rigor e decisões equivocadas” nestas operações.

Quinze minutos após a abertura da bolsa de Nova York nesta sexta-feira, as ações do grupo caíam 9,3%, a 36,95 dólares.

Estas perdas são uma verdadeira humilhação para Dimon – um dos ‘reis’ de Wall Street – e para o próprio JPMorgan, que havia conseguido superar a crise financeira de 2008 de forma muito melhor que seus rivais.

Esta perda ocorreu porque o JPMorgan quis cobrir sua exposição aos créditos, o que representa o “maior” risco para o grupo. Para isso, adquiriu massivamente seguros contra default (os “credit default swap” – CDS), que permitem se proteger contra o eventual calote de uma instituição.

Nessas operações, houve “uma estratégia ruim, mal executada”, reconheceu Dimon.

Elas teriam sido semelhantes às realizadas com os complexos produtos derivativos que causaram a crise financeira de 2008. Isso provocou a implementação da chamada “regra Volcker” (de Paul Volcker, assessor econômico do presidente Barack Obama), que limita os investimentos de risco do banco no âmbito de uma reforma financeira nos Estados Unidos em 2010.

Mas Dimon sempre se opôs à reforma financeira e a qualquer endurecimento da regulação bancária.

“É lamentável, muitos analistas” vão criticar por isso o JPMorgan, “mas temos que assumir”, disse Dimon, ao ser perguntado a respeito.

O senador americano Carl Levin, co-autor da regulamentação Volcker, condenou imediatamente as “enormes perdas do JP Morgan”, que são, para ele, “a mais recente prova de que o que os bancos chamam de “uma cobertura de risco” são, frequentemente, arriscadas apostas que os bancos (…) não devem assumir”.